sexta-feira, agosto 24, 2007

O “Elefante branco" da Lapa

Prof. Vitor Augusto Longo Braz
Jornalista e profissional de Educação Física

No ano de 2000, concebi um projeto, que na época se transformou, para mim, a menina dos meus olhos e em um grande desafio a sua execução. O Projeto, por mim, intitulado de FESPORTE CAMPOS, consistia no aproveitamento do cais da Lapa para a prática desportiva e promoção de eventos esportivos e culturais, como shows, por exemplo. É um amplo projeto que comportava eventos esportivos dentro da quadra, como: futevolei, duplas de vôlei, beach soccer e frescobol. Dentro do Rio Paraíba: Travessia de natação, regatas diversas, como: de laser, de remo, de caiaque, de caíque, desafio de jet sky e Wind surf. Na orla: apresentações de artes marciais, corridas rústica e procedimentos de medição de pressão arterial, glicemia e peso ideal. De um dia para o outro, ou seja, de sábado para domingo, um show popular regional.

Para tanto, o projeto previa a construção de uma “Arena Esportiva”, ou seja, uma infra-estrutura composta de arquibancadas, palco, quadra de areia macia e limpa e quiosques - que poderiam ser até tendas, para medições de pressão arterial, glicemia e peso ideal, através do fracionamento das medidas de composição corporal, de forma informatizada, para fornecer dados e dicas, com vistas à melhoria da saúde, bem estar e qualidade de vida da população.

Na ocasião, da elaboração deste projeto, apresentei-o a Carjopa, que tinha como então presidente, o empresário Marcelo Diegues. Marcelo adorou o projeto, porém a entidade que dirigia estava no seu começo e não dispunha de recursos capazes para transformá-lo em realidade.

Apresentei-o, então, a Kaiser, que após análise dos diretores da empresa, também fizeram uma avaliação positiva de sua execução, sugerindo, inclusive, que trouxesse a Dora Bria, campeã mundial na época de Wind Surf e, por demais, presente na grande mídia nacional, para agregar mais valor ao evento.

No entanto, a distribuidora da Kaiser estava em vias de mudança da nossa cidade e, o meu tão sonhado projeto, mais uma vez, ficou engavetado.

Quero registrar que este projeto foi apresentado a essas duas instituições e, deixado com os seus respectivos dirigentes, a cópia do mesmo. Esses empresários, em momento algum, se apoderaram do mesmo e, tão pouco, executou algo parecido com o que lhe foi apresentado e deixado com eles. Demonstraram ética, no sentido amplo da palavra.

Pois bem, na coalizão política partidária que o Prefeito Alexandre Mocaiber se propôs a fazer, o PSDB foi um dos partidos avocados a compor sua base política. O ex- deputado Paulo Feijó, embora na época sem partido, mas que apoiou o Prefeito Alexandre Mocaiber, no segundo turno das últimas eleições municipais, foi agraciado com a oportunidade de indicar um dos seus correligionários, para dirigir a Fundação Municipal de Esporte. Dessa forma, Feijó indicou o empresário e ex-sargento do Exército, Ivanildo da Silva Cordeiro, para assumir a pasta da Fundação Municipal de Esportes de Campos.

Minha expectativa foi tremenda, vibrei como se tivesse sido eu o indicado, uma vez que, tratava-se de um amigo de mais de 20 anos, que apoiei para deputado estadual, na campanha de 1995 ou 1996, não me lembro bem, e que sempre tive um excelente relacionamento de amizade comigo.

Contudo, minha decepção começou quando nem convidado para sua posse eu fui. Mas, não fiquei magoado, poderia ter sido esquecimento do amigo de mais de 20 anos. Quando o procurei para lhe requisitar um apoio para um evento aquático, o mais tradicional de Campos, que já desenvolvia há sete anos sem contar com o mínimo de apoio da municipalidade, minha decepção aumentaram um pouco mais. Dificuldades de todos os tipos foram, pelo presidente e seu tesoureiro apresentado, e o apoio, por mim, requisitado, tornaram-se quase que impossível.

O resultado é que não obtive o apoio para este tradicional evento, verdadeiramente de base, que fomenta a natação de nossa cidade, pois reúne em cada uma das suas etapas, uma média de 500 crianças, de faixa etária compreendida entre 1 a 18 anos, de mais de 25 Instituições, dentre as quais: projetos sociais, clubes, academias, condomínios, escolas públicas de variadas localidades, como Travessão e Martins Laje, e que sempre foi realizado com o maior zelo e organização. Todas as 31 etapas, ao longo dos 7 anos e meio de realização, foram coroadas de pleno sucesso. Foi uma falta de visão desportiva imperdoável do Presidente da FME e seu tesoureiro.

Em outra ocasião, fui até ao presidente da FME, requisitar um apoio para realização da 2ª Corrida de Travessão. Novamente, dificuldades outras, foram impostas. Mesmo assim, fui por diversas vezes à sede da FME, inclusive, certa vez, acompanhado da Diretora do Colégio Estadual Nelson Pereira Rebel, profª Zamite Barreto, para tentar o apoio, que só aconteceu quando procurei o Feijó e relatei as dificuldades que estava tendo para o meu pleito. Diga-se de passagem, que nesta corrida rústica a previsão de participarem mais de duzentos corredores se concretizou, e o próprio presidente da FME, foi testemunha ocular não só do quantitativo de participantes, mas da sua organização séria e profissional, com apuração informatizada, algo inédito em nossa cidade, e a presença de atletas de vários outros municípios. Ressalte-se, por importância, que neste evento a verba destinada mal deu para cobrir os custos da corrida e que foi gerenciada pela diretora da instituição. Só para reforçar: eu, Vitor, não ganhei absolutamente nada em termos financeiros, nenhum centavo. Ganhei sim, e fiquei imensamente satisfeito, a felicidade de ter realizado mais um importante evento esportivo, de inclusão social e de integração, que contou com a presença de componentes do Grupo da Terceira Idade de Travessão, e do maratonista mais idoso do mundo- Sr. Tuplet Vasconcelos (94 anos) - na minha carreira profissional.

Mas, a minha maior decepção foi quando vi aquele meu tão sonhado projeto da Arena Esportiva – O FESPORTE Campos, começar a ser executado pela FME, sem ao menos me ter conhecimento. Ao encontrar, por um acaso do destino, na Semana do Meio Ambiente, no Centro de Campos, já sabedor da intenção do presidente da FME, em realizar aquele evento, que lhe apresentei na véspera da sua posse, indaguei-o sobre seu procedimento antiético. O presidente, então, desconversou e mudou o assunto.

Como se não bastasse essa atitude antiética, que não condiz com qualquer ser humano, muito menos, com um Gestor Público, comecei a ser difamado por ele, com adjetivos pouco agradáveis, como: desequilibrado, doente e criminoso.

Mas DEUS é magnânimo! Consegui uma mão amiga na Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Tecnologia, na pessoa do secretário, Dr. Rockfeller Felisberto de Lima, e de seu subsecretário, Sr. Marcelo Queiroz, dois jovens dinâmicos e de grande visão. “Abri” a porta do Turismo para realizar importantes eventos esportivos, que serviram de poderosas ferramentas, para se alavancar o Turismo em Farol de São Thomé e Lagoa de Cima, mobilizando os idosos de Campos e atletas de renome Internacional e de toda Região.

Aí minha decepção, já se configurando em mágoa, majorou, quando o Presidente da FME, talvez, envergonhado, enciumado, invejado, ou sei lá que sentimento baixo lhe possuiu, passou a tentar fechar as portas que abri na Secretaria de Turismo.

Graças a DEUS, essas suas atitudes só têm colaborado para que sua personalidade e caráter sejam, cada vez mais, do conhecimento público, não obtendo eco nenhum junto aos seus interlocutores, que estão constatando a seriedade e o profissionalismo que, modesta à parte, faz parte da minha personalidade e caráter.

E a Arena da Lapa, o meu “FESPORTE” Campos, que pena! Passou a ser considerado um Elefante Branco, estando na maior ociosidade há quase um mês.

Sua efetivação se constituiu num verdadeiro fracasso, executado nas “coxas” e em cima da hora, a dois dias do previsto, as festividades de São Salvador. De lá, para cá, a “Arena da Lapa”, ficou abandonada, a mercê de traficantes e de usuários de drogas da comunidade que controla o tráfico nas imediações.

Uma tristeza para mim e acredito, que para toda população campista. E o que agrava, mais ainda, essa situação, é que o “ELEFANTE BRANCO DA LAPA” está sendo bancado com o erário público, ou seja, com o meu dinheiro, com o seu e o de toda população de Campos.

Mas, como tudo na vida, é passível de mudanças, quem sabe o presidente da FME, não coloca a mão na consciência e vislumbre que tudo na vida é passageiro. Que não vale a pena ficar de “sapato alto” e jogar no lixo da sua vaidade as antigas, verdadeiras e fiéis amizades, construídas ao longo de décadas, com parceiros que começaram juntos, com todas as dificuldades e, como diz o dito popular: “comendo o pão que o diabo amassou”.

Que o Bom DEUS lhe abra seu coração e descortine sua visão obscurecida pela arrogância, ostentação, vaidade e presunção que o Poder cega.

Para finalizar quero dizer, que apesar da decepção e da mágoa que, no momento, sinto, não posso alimentar esses sentimentos dentro do meu Ser, sob o risco de não ser digno de galgar o Reino de DEUS e proporcionar combustível para qualquer tipo de doença. Torço pelo seu sucesso e, todos os dias faço emanações das melhores vibrações de positividade para o amigo Ivanildo Cordeiro.

Mas, por derradeiro, peço-lhe, encarecidamente, em nome de DEUS e dos meus quatro filhos: Ivanildo, deixe-me trabalhar!

quarta-feira, agosto 22, 2007

Desenvolvimento do esporte em Campos com oportunidades para todos: como começar?

Vitor Augusto Longo Braz
Profissional de Educação Física e Jornalista
Mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ


Ao fazermos uma abordagem em relação ao tema em questão, nossa principal finalidade é tentar contribuir de alguma forma para o desenvolvimento do esporte campista num todo. Dessa forma, toda a ideologia apresentada neste texto configura-se em pensamento próprio.

Pensamos no esporte como uma vertente da educação, ou melhor, consideramos o esporte como uma das mais poderosas ferramentas da educação, que leva a reboque de sua prática a qualidade de vida, a saúde, o turismo, a cidadania, o desenvolvimento econômico e a promoção social, onde as oportunidades oferecidas através da Educação Física são capazes de transformar cidadãos, aumentando a auto-estima, a capacidade e os horizontes através do esporte e atividade física e de lazer.

Na verdade o esporte brasileiro ainda é feito de ilhas de excelência, na grande maioria dos casos. Não existe uma massificação do esporte, no sentido de estar próximo das pessoas, estar nas escolas, fazer parte do cotidiano das pessoas. Acreditamos que o esporte tem que deixar de ser restrito a um espetáculo de televisão e passar a fazer parte do dia-a-dia das pessoas. Isso é essencial para a inclusão social, a auto-estima e outros fatores de formação dos jovens.

Mas para tentarmos desenvolver este tema, de forma pragmática, é necessário que apontemos algumas políticas públicas que visem o desenvolvimento do esporte como um todo.

Para isso, necessário se faz, que levemos em conta a dimensão territorial e habitacional de nossa cidade. Somos uma cidade de quinhentos mil habitantes em média, e de uma extensão territorial imensa. Temos que pensar em proporcionar oportunidades para todos os cidadãos campistas. Desde os que moram em áreas centrais, até aqueles que moram na periferia e distritos distantes como: Baixada Campista (Donana, Baixa Grande, Farol de São Tomé, Tocos, etc.), na Região Norte (Morro do Coco, Cons. Josino, Vila Nova, Travessão, etc.) e na Região Sul (Tapera, Ururaí, etc.).

Imaginem a quantidade de jovens em idade de iniciação desportiva, oriundos dessas localidades, muitos com talentos natos, que, no entanto, se encontram sem oportunidades e, dessa forma, excluídos de desenvolverem-se através do esporte e da atividade física. Não é raro vermos um, ou outro, atleta dessas localidades periféricas despontarem no cenário esportivo nacional, após passar de forma anônima pelo esporte em nossa cidade.

Por sermos uma cidade que proporciona poucas oportunidades para esses jovens se desenvolverem nos diversos campos sociais, em particular no esporte, torna-se comum eles migrarem para a região central da cidade em busca de subsistência própria e o de sua família. Nessa esteira de injustiças sociais esses excluídos, via de regra, passam a ser os chamados “meninos de rua”, que são discriminados e passam a ser um peso para a sociedade.

Nossa cidade conta com um potencial financeiro (estima-se que sejamos a 25ª cidade em arrecadação entre aproximadamente 5.565 cidades do Brasil e a 10ª em PIB, segundo foi noticiado recentemente), conta, ainda, com um potencial técnico (duas Universidades com cursos de Educação Física). Porém, o que é mais importante, no nosso entender, é a completa falta de infra-estrutura básica para permitir o desenvolvimento do esporte com um todo.

Não temos sequer uma pista de atletismo. Não temos sequer um ginásio público decente para atender as necessidades das poucas equipes de ponta de Campos.. Isto chega ser vergonhoso.

Mas olha só que paradoxo: A Prefeitura de Campos já teve um time milionário (atletas com grandes salários) de basquete masculino e um de vôlei feminino. Essas equipes treinavam em ginásios alugados, faziam a preparação física e técnica em ginásios alugados e jogavam em ginásios alugados. Pagamos caro por essas equipes durante alguns anos.

Mudou o governo e acabaram com as equipes. E aí a pergunta que fica: O que essas equipes deixaram para Campos, ou melhor, perguntando, qual foi o desenvolvimento que o esporte campista teve com essas equipes? Acabaram-se as equipes de ponta, não existe atletismo, falo em arremessos, lançamentos, saltos, corridas de pista, acabaram-se essas modalidades em Campos. Isso não é desenvolvimento, concordam? Mas gastou-se e gasta-se muito.

No nosso entender Campos precisava estar dotada de infra-estrutura capaz de atender a todos os cidadãos campistas, desde aqueles da área central até àqueles moradores das áreas periféricas mais distantes.

Falo em construção de complexos desportivos na baixada, em Guarus, na Região Norte, na Região Sul, além de uma Vila Olímpica nos moldes e padrões internacionais, que seja capaz de abrigar competições internacionais como algumas dos Jogos Pan Americanos.

Penso em um total de sete complexos: quatro na Baixada, dois na Região Norte, e um na Região Sul, além, como citei acima, uma Vila Olímpica nos padrões internacionais.

Vou mais a frente um pouco nessas minhas sugestões, para não dizer que sonho demais, ou sou utópico. Para se realizar um projeto decente e eficaz para o desenvolvimento do esporte em Campos, com a infra-estrutura necessária que citei, talvez não se gaste muito. As parcerias estão aí para serem consolidadas. Existe empresas que têm dívidas sociais com a cidade (Petrobrás, Águas do Paraíba, empreiteiras diversas, e outras que estão se instalando com incentivos do município).

Com um projeto sério e com vontade política tenho certeza que essas empresas gostariam de ajudar, até porque existe incentivo fiscal para empresas que investem no esporte.

Ta na hora da Fundação Municipal de Esporte parar de ser “cabide” de emprego e pensar grande. São décadas de atraso, basta olhar os municípios vizinhos e menores em extensão, população (quanto mais gente, mais possibilidade de talentos) e principalmente em arrecadação, como já se encontra Macaé, Quissamã e outros. E não adianta vir com essa que Campos é várias vezes campeã dos JAI, que isso é, para quem entende e quer ver a coisa de forma mais clara, uma tremenda hipocrisia. Comentário de fontes fidedignas afirmam que atletas profissionais de vários esportes, até com passagem em Olimpíadas, de outras cidades são contratadas para representarem Campos. Chega até ser uma covardia com as outras cidades. Aí se usa a mídia para fazer “estardalhaço” em cima da conquista, numa disputa desigual e covarde, ao meu entender.

Senhor presidente da FME, meu filho mais velho completou dezoito anos em junho. Sua geração passou sem ver esporte em Campos. Torço e faço votos que os meus (outros três) e os seus filhos não passem pelo mesmo. A responsabilidade é toda sua, enquanto gestor do esporte de Campos dos Goytacazes, uma da mais ricas cidades do país.

quinta-feira, agosto 02, 2007

A aviação, o lucro, a imprensa e a gestão no Brasil

Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, psicopedagogo, terapeuta e industriário.

e-mail: lfmunizz@gmail.com

Não há dúvidas de que a indignação tomou conta do Brasil após mais uma tragédia de proporções cinematográficas! O relevo escarpado da ocorrência em meio a uma já anunciada e frenética crise de todo o setor da aviação civil dá sinais inequívocos de que os erros, as falhas, as omissões, a desordem, a ganância, a irresponsabilidade civil e penal – pública e privada - se somam e se aglutinaram no tempo de vários governos e no espaço das instituições envolvidas, e como um câncer está matando, infernizando famílias e afetando a frágil estabilidade político-econômica do país.

Graças a muitos interlocutores da grande mídia, as informações preliminares já apontavam os responsáveis por mais esta desgraça: o Governo Federal. No olho do furacão, o desespero e a dor dão as cartas, surpreendem e comovem todos nós!! É verdade, o Governo Federal é o culpado! Todos, até o Presidente da República parecia entoar este cântico das tormentas, quando não veio de imediato a público prestar esclarecimentos e solidariedade aos familiares! Até por que nós fomos treinados para acolher como verdade tudo aquilo que os tele-jornais publicam; temos preguiça nata por outras fontes! Agora, a CPI do “Apagão Aéreo” deixa vazar dados da “caixa preta” onde há fortes indícios de que teria havido falhas dos equipamentos de frenagem associada à falha humana, com base no diálogo entre os pilotos e a torre de controle do aeroporto..., mas é tarde!

Inúmeros pilotos e tripulantes da TAM e outras companhias pediram demissão ou entraram com licença médica alegando excesso de trabalho, condições precária dos equipamentos e problemas psicológicos, fatos largamente publicados nos jornais de circulação nacional nos dias seguintes ao acidente, mas que tiveram pouquíssimo espaço na grande mídia televisiva. A TAM expediu pedido quase desesperado de ajuda aos seus funcionários de férias e convocou todos que estavam de folga para atender ao caos que se instalou nos dias subseqüentes.

Enquanto isso especialistas de toda a ordem se manifestam por todo o canto do país. Na revista “Época” de 23/07 o doutor em Ciência Política da FGV, Fernando Abrucio, com o título: “Congonhas mostra o colapso do Estado”, diz que “o Brasil passa por um colapso de sua infra-estrutura” e que há “um descompasso entre o avanço da economia e a incapacidade do governo”. O editorial da Folha de São Paulo do domingo 29/07 estampa a crise aérea como “dor de crescimento”, segundo ele o “vigor econômico já pressiona infra-estrutura além dos aeroportos” e que “uma abertura geral do setor de infra-estrutura ao capital privado seria uma saída óbvia para conciliar o interesse desses agentes aos do país.”

A bem da verdade deve ser dito alto e em bom tom que boa parte do Serviço Público praticado hoje no Brasil, em todos os níveis da Federação, está mergulhado no amadorismo. Entendendo amadorismo como o exercício de uma atividade técnica ou administrativa sem quaisquer critérios prévios de padronização ou normatização, capazes de nortear objetivos e fins a serem cumpridos por um agente público num determinado espaço de tempo. Se não há padrões a serem cumpridos nem normas a serem atendidas, não há fiscalização e nem responsáveis, enfim, não há gestão que dê conta dos sabores da pessoalidade na administração da coisa pública. Esta é a política do quanto pior melhor, muitas empresas privadas se beneficiam e abusam desta lógica nacional para abocanhar mais divisas e assim, colocam em risco os usuários de seus produtos ou serviços!

O amadorismo que se pratica no Serviço Público é um vício patrocinado pela classe política que tem um pé na iniciativa privada e que deseja enfurecida o vigor frágil do “Estado Mínimo” e Míope. É inconcebível que a indústria da aviação civil não possua hoje instrumentos próprios e eficazes de auto-regulação e autocontrole de todo o seu processo com vistas à segurança operacional de suas aeronaves e instalações, de seus usuários e demais interessados e ou envolvidos, como hoje transparece para a sociedade brasileira.

Quando defeitos e ou registros de falhas de equipamentos ou instalações vitais não são tratados com o rigor que o processo requer ou deveria, então a última palavra ficou por conta tão somente da demanda, ou do fluxo de caixa, ou dos aspectos políticos, ou da decisão própria daqueles que entendem que administrar ou liderar é “assumir riscos”.

Para entender, respeitar e tratar os sinais de deterioração do Estado Brasileiro e das Instituições Públicas e Privadas é preciso muito mais do que títulos e arautos televisivos, a nação requer urgentemente uma nova gente para a ação e a administração da coisa pública, o tempo urge e o vento sopra contra nós!!

quinta-feira, julho 05, 2007

Etanol: a verdade do norte fluminense!!

Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, psicopedagogo, terapeuta e industriário.

e-mail: lfmunizz@gmail.com
Campos, Julho/2007.


Graças a um jovem e promissor jornalista do “O Dia” – Diogo Amaral – e os fabulosos avanços da informática, eu fui provocado a tempo para assistir ao Seminário: ETANOL DO NORTE FLUMINENSE AO MERCADO GLOBAL – já havia me esquecido – no último dia 26/06/07. Acabei assistindo na íntegra pela internet, que maravilha!

Acredito que a realidade dos avanços tecnológicos na área da informação e comunicação está promovendo uma revolução mais real do que muitos de nós poderíamos supor. Tudo parece avançar numa dinâmica incomum para os olhos dos “fluminenses” mais ao norte.

Este seminário, na minha humilde opinião, foi um divisor de águas! A simultaneidade entre o CEFET (Campos dos Goytacazes) e o EDISE (Petrobrás/RJ) numa transmissão em tempo real, com a participação de lideranças de classes e governamentais (nacionais e regionais), sobre os detalhes e desafios burocráticos, técnicos e administrativos da indústria e da lavoura canavieira no Brasil e em particular no Norte-Fluminense, trouxe para todos uma nítida luz e uma atualíssima visão do drama vivido por aqui.

A desenvoltura de representantes dos produtores e industriários do centro-oeste brasileiro e do Estado de São Paulo deixou claro o atual compromisso profissional do setor com o controle real de metas, não só no campo produtivo, mas também nas áreas trabalhistas e sócio-ambientais. Os representantes da Petrobrás foram enfáticos e meticulosos ao tratar dos desafios da produção com responsabilidade social e ambiental, tecendo comentários inclusive sobre o fim das queimadas e utilização das palhas de cana como adubo ou para produção de etanol a partir de celulose.

Durante os comentários sobre o potencial do Norte-Fluminense, um representante da Secretaria Nacional de Indústria ressaltou o importante papel desta região no passado, mas que hoje seria preciso um forte empenho de todos os setores envolvidos para uma mudança de gestão que promova uma real atração dos investidores. Num quadro em que a produção agrícola não consegue atender a demanda já instalada das usinas que operam; onde a produção de cana por hectare é praticamente a metade do que ocorre nas lavouras paulistas; onde o perfil do produtor rural não acolheria as exigências de gestão impostas por um mercado que sinaliza fortemente pela responsabilidade social e ambiental; então somente restaria dizer que o norte-fluminense tem muita lição de casa para cumprir antes de se lançar atrás do dinheiro do investidor.

Representantes do CEFET e da UFF/RJ apresentaram, em detalhes, as dívidas do setor com o meio ambiente e os trabalhadores rurais, apontadas em vários estudos acadêmicos desenvolvidos pelas universidades regionais, mas incrivelmente foram rebatidas pelo Presidente do Sindicato dos Produtores de Cana de Açúcar do NF – e também representante da Firjan – presente no palco do Edise. Segundo ele os produtores rurais, ou como gosta de chamar: “empresários rurais”, praticam na região a responsabilidade social, a responsabilidade ambiental e que esta questão de queimadas, somente com o tempo e o aperfeiçoamento natural da sociedade é que será extinta (???), não entendi, e você??

Praticamente todas as lideranças de classe de nossa região, que tiveram vez e voz no seminário, pediram socorro a Petrobrás, mas sem apresentar nada de concreto, mais uma vez transparece a velha máxima da busca de recursos sem contrapartidas, sem co-responsabilidades, sem convergências setoriais e sem metas claras e definidas previamente. Somente o Mário, é o Mário Concebidas, que aproveitou a oportunidade para espetar a Petrobrás – relembrando uma falsa idéia de que aquela empresa havia lutado contra o Pró-Álcool -, coisas do Mário!! Falou pouco e explicou menos ainda o procedimento de empréstimos, com dinheiro dos royalties do petróleo, para os produtores de cana em Campos dos Goytacazes.

Enfim, se vocês quiserem de fato participar desta revolução no cenário energético mundial, deverão querer aprender, rapidamente, práticas de gestão participativa! Deverão entender o por quê que muitos produtores de cana, ainda hoje, estão transformando em ração as suas lavouras, ao invés de vender para a usina a R$ 10,00 (dez) reais a tonelada! Além, é claro, de aceitar com gentileza e confiança a opinião que não coincidir com aquela do mais puro e genuíno “Capitalismo”, como alguém teria dito também por lá!!

quinta-feira, junho 14, 2007

Royalties em Campos dos Goytacazes, RJ e as universidades!

Luiz Felipe Muniz de Souza
14/06/2007

A discussão - ou monólogo público?? - sobre o uso adequado dos royalties está levando à linda baixaria que quase sempre predominou nas rodas dos debates sobre o que fazer com a outrora promissora: Campos dos Goytacazes/RJ!!!

Por mais que alguns poucos "obstinados" e "devotos" do exercício democrático tentem, o fato é que não conseguimos sair da mesmice, da pasmaceira de sempre, dos egos em excessos - locais e provincianos - que embalaram e ainda fazem a história desta terra miserável de Escravos, de Engenhos e de Royalties do Petróleo.

Nos últimos anos o que tivemos em excesso foram radialistas no poder, falastrões egocêntricos e um retrocesso radical dos movimentos sociais. Hoje as universidades locais - e são muitas!! - não mais conseguem fomentar as renovações fundamentais e nem as revoluções urgentes do pensamento e das ações públicas.

Boa parte deste caos se deve porque há nelas de fato um certo - e talvez profundo - enredamento, um entrelaçamento pouco ético com os poderes da administração pública local e regional, fatos que tendem a partidarizar politicamente tudo que se passa e se pensa no seio da comunidade acadêmica, deixando órfãos de idéias e ideais os cidadãos e cidadãs da Campos dos Goytacazes de hoje.

A maneira como um Secretário Municipal de Comunicação conduz a discussão pública e a crítica de um segmento universitário - chamando todos para uma cervejada num boteco de esquina - ao uso dos royalties, nos dá a nítida dimensão da precária condição político-administrativa do atual prefeito, ao mesmo tempo que esgarça para toda a comunidade a pouca reputação de muitos indivíduos que fazem política por aqui!!

É dito em "boca pequena" por aí que boa parte das bolsas universitárias pagas pela prefeitura de Campos - à título de "investimento" segundo o Secretário de Comunicação - é destinada a muita gente de alto poder aquisitivo e influente na Administração Municipal!!!

Ora, Senhor Secretário - seria esta uma boa oportunidade para a Secretaria de Comunicação Municipal - ao invés da cerveja no boteco - apresentar uma lista completa dos beneficiários das bolsas bancadas pelos royalties do petróleo - com o nome completo de pais e renda bruta - para que a sociedade avalie bem se de fato trata-se de um investimento ou mais um "caixa dois" da administração pública no Brasil!!!

sexta-feira, março 23, 2007

Tecnologia social e desenvolvimento em Campos

Fábio Siqueira – historiador, professor e diretor Sepe
e-mail: fabiogsiqueira@ig.com.br

No último dia 19 estive na UENF a convite da coordenação do Programa de Pós-graduação em Políticas Sociais e da Pró-Reitoria de Extensão e assuntos comunitários. No programa a aula inaugural do curso de mestrado do referido programa com a educadora e ex-deputada federal Irma Passoni. A palestrante hoje se dedica a coordenar o ITS (Instituto de Tecnologia Social), uma ONG que se dedica a disponibilizar tecnologias resultantes da produção científica brasileira para a sociedade, especialmente para as camadas menos favorecidas ou excluídas. Sua fala discorreu sobre o papel da Universidade nesse contexto, como instituição responsável no processo de desenvolvimento nacional. Desenvolvimento aqui compreendido não apenas em seu aspecto socioeconômico, mas também – e fundamentalmente – no aspecto humano e social.

Muito oportuno este debate na UENF. Na própria cobertura que este blog tem dispensado às eleições para a escolha do próximo reitor desta universidade, já foi comentada – inclusive pelos candidatos – a opinião corrente na cidade segundo a qual esta instituição acadêmica não conseguiu até hoje se integrar de forma efetiva com a comunidade campista. Em que pese todos os problemas que a UENF enfrentou ao longo de sua história, inclusive a luta pela autonomia universitária e que talvez tenha mantido a comunidade focada nos interesses internos, já é hora de – finalmente – promover tal integração. Isto não é apenas uma questão de opinião. Diz respeito à necessidade de exercer uma responsabilidade que a comunidade científica tem, de contribuir para o debate e as ações relativas ao desenvolvimento regional. De parabéns a coordenação do Programa e a Pró-Reitoria que promoveram o evento, pela sensibilidade com tema tão relevante.

Como um dos poucos – se não o único – representante da sociedade civil presente na palestra que contava com público composto quase que totalmente por membros da comunidade universitária, me motivei a apresentar uma questão à ex-deputada após sua explanação que apresentou inúmeros relatos de experiências verificadas na região Norte, Nordeste, em São Paulo, enfim por todo o país, onde a integração entre a comunidade científica, o ITS e o poder público resultou em desenvolvimento social, gerando cidadania para milhares de pessoas. Minha pergunta solicitava um maior detalhamento entre as parcerias com prefeituras mencionadas em sua fala, especialmente uma experiência envolvendo a Secretaria Municipal de Trabalho de Osasco, além disso questionava a impressão de Irma sobre o potencial de uma prefeitura com orçamento como o de Campos nesse sentido.

Sua resposta me convenceu que muito ainda pode ser feito aqui para mudar a realidade de milhares de pessoas que se encontram na pobreza, ou que dependem de um contrato de trabalho temporário ou terceirizado na prefeitura – em situação irregular e de eminente desemprego. No caso de Osasco, a articulação entre instituições que promovem pesquisa científica, o ITS, governo Federal e prefeitura produziu um eficaz programa de geração de emprego e renda, rompendo com a questionada acomodação dos assistidos por programas emergenciais como o Bolsa Família. Em Campos, não há no organograma da Prefeitura uma Secretaria de Trabalho, responsável pela experiência de Osasco, também não há uma Secretaria de Ciência e Tecnologia, fundamental para articular a Universidade, suas pesquisas e o interesse público – isto apesar de o partido do prefeito ocupar o Ministério e a Secretaria de Estado de mesmo nome. Isto revela a inércia da atual administração em avançar em algumas áreas de governo, apesar do robusto orçamento do Município. Outra observação de Irma deve ser destacada. Ela lembrou de sua atuação parlamentar, quando da legislatura que definiu os royalties do petróleo para os Municípios e Estados da Federação, principal receita dos municípios da região. Disse que, na oportunidade, tiveram contato com o modelo do Alasca, onde a compensação financeira é paga individualmente a cada cidadão anualmente, e não mediada pelo Estado. Assim defendeu ampla publicidade e democratização no que se refere à utilização destes recursos por Estados e Municípios.

Todos nós que defendemos a justiça dos royalties pagos aos municípios da região – imaginando estes recursos como vetor de desenvolvimento neste bolsão de pobreza encravado no “Sul maravilha” – acompanhamos com atenção a utilização destes recursos pelas prefeituras locais e esperamos que estes sejam empregados em investimentos de interesse público. E tecnologia social, articulando conhecimento científico e tecnológico com políticas públicas voltadas para a promoção da cidadania é um belo investimento!

domingo, fevereiro 18, 2007

A inconveniência da “verdade” dos intolerantes!!

Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, psicopedagogo, terapeuta e industriário

e-mail: lfmunizz@gmail.com
Campos, 16/02/2007.

Por mais que as chuvas abundantes e as enchentes incomuns em nossa região exijam ações urgentes para desafogar as famílias, os rebanhos e os canaviais inundados, não podemos mais correr o risco de cometer os mesmos erros simplistas do passado. Temos que agir e pensar juntos para além das diferenças de idéias, numa tentativa urgente, e, talvez única, de re-arrumar a bagunça que financiamos ao longo do tempo e que ainda nos domina a todos, particularmente no Poder Executivo Municipal em Campos dos Goytacazes.

Outrora a Baixada Campista foi drenada sim! Em nome do desenvolvimento agro-industrial, construímos mais de 2000 Km de canais sem considerar quaisquer aspectos de cunho ambiental sim! Alguns dizem, na defesa do que foi realizado, que o trabalho se deu em função das doenças e epidemias oriundas dos fartos mananciais. Na minha humilde opinião, uma desculpa que custou apenas, a perda de quase uma centena de lagoas e outras centenas de brejos e áreas úmidas importantes e vitais para toda a comunidade.

Desconsiderar os importantes relatórios internacionais sobre o “Aquecimento Global”, e, as inevitáveis “Mudanças Climáticas” para a tomada de decisões é o mesmo que negar hoje a existência da Lua ou afirmar que a destruição de Nova Orleans / EUA pelo “Katrina” ou a “Tsunami” na Ásia foram uma ficção!!

Toda a Rede Globo nunca esteve tão “ecochata”! Colunas de Economia e Política não falam em outra coisa senão em mudança de matriz energética para tentar fazer frente ao drama do aquecimento e suas conseqüências espetaculares. Quem diria, a Miriam Leitão!? O “Fantástico” dominical traz agora fora do tempo - mas em horário nobre - especiais internacionais, para tentar explicar, o que de fato há na Biosfera em crise, numa tentativa meio que desesperada de chamar a atenção para o grave momento da humanidade. Até a Ana Maria Braga deixou um pouco de lado, as delícias de nossa culinária, para entrevistar um dos jornalistas responsáveis pelo atual envolvimento da “Rede Globo” com o tema.

Enquanto isso, aqui no 6º PIB Brasileiro, os ruralistas e usineiros reacendem velhos dramas ambientais, embalados pelas águas em suas lavouras de cana e pelas pontes caídas e ausentes. Esqueceram boa parte dos excessos cometidos: invasões de lagoas, eliminação de pequenas propriedades rurais, expulsão de comunidades pesqueiras, derrubadas de florestas, etc. Agora que o álcool foi elevado a categoria de “commodity” internacional, devido à busca das nações por alternativas aos combustíveis fósseis, sentem-se cada vez mais poderosos para o enfrentamento político regional. Já conseguiram até uma grande vitória: a pressão sobre o Prefeito de Campos motivou a troca do secretário de Meio Ambiente, sai o Sidney Salgado de perfil técnico e entra um político profissional – Paulo Albernaz - de bom trânsito com os ruralistas, mas de perfil frágil com relação à área socioambiental.

Tudo bem, para ser Secretário de Governo não é preciso ser especialista! Mas a questão não é essa, ela é um pouco mais complexa e requer melhor reflexão.

O grande problema é que na Prefeitura de Campos impera um caos dramático de organização, planejamento e fiscalização. Não há qualquer padrão a ser seguido na qualidade de funcionário público municipal - seja por concurso ou indicação -, ficando assim o cargo a cargo de quem de fato assume a pasta ou a função. Nada por aqui acontece como fruto de um trabalho de convergência, planejado ou de metas a serem alcançadas, não!! Nestas terras de fartura, o jogo tem ficado por conta da decretação de Estado de Emergência ou similar, impedindo licitações públicas e o cumprimento dos já precários Planos Plurianuais; porém, com farta liberação de verbas dos cofres públicos.

Ora, um município com tantos recursos financeiros, e, tão precárias condições estruturais, não ter capacidade técnica para gerar projetos, para serem financiados e implementados com e pelo Ministério das Cidades na área de infra-estrutura, é uma aberração! Um prefeito que vai ao Jornal da Record e afirma que o município perdeu mais de 350 milhões do Governo Federal por falta de projetos, não deveria ser pressionado pelas lideranças e cobrado pela comunidade?

Não será na divergência que alcançaremos melhores índices de gestão é verdade, mas sim numa visão mais complexa e compartilhada dos fatos e das decisões. Uma parte dos ruralistas e usineiros, por exemplo, estão apostando na criação de novos Consórcios e Comitês para facilitar os caminhos de acesso ao dinheiro federal para a prática de novas intervenções na Bacia Hidrográfica Regional. Há no ar, um certo boicote ao Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, e, ao Consórcio de Municípios e de Usuários da Bacia do Rio Paraíba do Sul para a Gestão Ambiental da Unidade Foz, instalado em 12/12/2003 junto ao CEIVAP - Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul - Sistema Nacional de Recursos Hídricos, instituído pelas Leis nº. 9.433/97 e 9.984/00 -, dito por eles como “casa dos ecologistas e ambientalistas”.

Não cabe mais a intolerância e suas meias verdades. As questões socioambientais daqui a diante deverão ser assumidas coletiva e democraticamente por todos os segmentos comunitários. Assim desejaram os recentes legisladores brasileiros e assim exigem as urgências globais entorno do tema. O dualismo regional, entre os ruralistas e usineiros de um lado e os ecologistas e simpatizantes de outro, não é mais cabível no cenário atual de crises entorpecentes e hiper-complexas. Precisamos de um choque de Gestão Pública que permita e garanta a evolução dos colegiados já criados, eles têm papel fundamental nas mudanças que urgem. Precisamos ainda, de uma imprensa sensível a toda esta dinâmica de ações locais, com capilaridade profissional, ao mesmo tempo para garantir os espaços da boa informação, como para agir articulando em prol do aprimoramento orgânico local e regional. Muito provavelmente, nem mesmo isto, bastará!!