Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado e ecologista - lfmunizz@gmail.com e http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, 19/09/2008.
Mais uma vez nos encontramos na encruzilhada das eleições municipais – talvez a mais importante de todas – e paira no ar aquela sensação amarga de continuísmo crônico da desordem. Exatamente aqui, nos campos dos bravos povos goitacá de outrora e no laboratório dos engenhos de açúcar da colônia, movidos à força bruta de negros e de índios em maldição eterna. Será esse o nosso carma coletivo? Talvez sim, talvez não! Mas esta é ou não é a história de toda uma nação?
Entender o furacão financeiro em escala global, a saga do povo de Evo Morales e o drama da Raposa Terra do Sol parece muito mais fácil do que assimilar os desígnios dos deuses reservados para Campos dos Goytacazes em pleno século XXI, tão rica e tão miseravelmente conduzida por “legítimas” lideranças políticas.
Relendo o “Povo Brasileiro”, do grande intelectual que aprendeu a ser político: Darcy Ribeiro, encontro algumas pérolas para a nossa inoportuna reflexão sobre os tempos passados e de agora:
“...o Vaticano estabelece as normas básicas de ação colonizadora...É o que se lê na bula Romanus Pontifex, de 8 de janeiro de 1454, do papa Nicolau v:
...infante d. Henrique, incendiado no ardor da fé e zelo da salvação das almas, se esforça por fazer conhecer e venerar em todo o orbe o nome gloriosíssimo de Deus, reduzindo à sua fé não só os sarracenos, inimigos dela, como também quaisquer outros infiéis...Por isso nós, tudo pensando com devida ponderação, concedemos ao dito rei Afonso a plena e livre faculdade, entre outras, de invadir, conquistar, subjugar a quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo praticar em utilidade própria e de seus descendentes...
...o Novo Mundo era legitimamente possuível por Espanha e Portugal, e seus povos também escravizáveis por quem os subjugasse... ” pág. 39/40
Em toda a América do Sul se deu, e ainda se processa, o encontro de mundos díspares. Na costa brasileira a coisa foi, e ainda é, muito mais ardente e gloriosa com a chegada dos negros africanos encruados e maltrapilhos.
O intelectual e político Darcy Ribeiro afirma em sua obra que “Frente à invasão européia, os índios defenderam até o limite possível seu modo de ser e de viver. Sobretudo depois de perderem as ilusões dos primeiros contatos pacíficos, quando perceberam que a submissão ao invasor representava sua desumanização como bestas de carga.”pág. 49 Quanto aos negros ele relata que “Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas...Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá...outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia, todos os dias do ano.” pág. 119
Os europeus que aqui aportaram, segundo Darcy, “eram gente prática, experimentada, sofrida, ciente de suas culpas oriundas do pecado de Adão, predispostos à virtude, com clara noção dos horrores do pecado e da perdição eterna...a vida era uma tarefa, uma sofrida obrigação, que a todos condenava ao trabalho e tudo subordinava ao lucro.”pág. 47
E agora nós brasileiros – mais do que mamelucos e crioulos –, o quê somos e para onde seguimos?
Segundo Darcy, o ex-senador da República, “somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado...Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu por séculos sem consciência de si, afundada na ninguendade...até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros...Olhando-os, ouvindo-os, é fácil perceber que são, de fato, uma nova romanidade, uma romanidade tardia mas melhor, porque lavada em sangue índio e sangue negro.”pág. 453
Se os nossos Partidos Políticos regionais não puderem ser inundados por pensadores tão obstinados como o foi Darcy Ribeiro para o Brasil, penso que perdemos muito todos. O tempo da pesquisa e do discurso acadêmico precisa abrir espaço à dialógica desafiadora do encontro / desencontro, mais que real, com o povo que todos somos. A cidade de Campos dos Goytacazes precisa ser reinventada, como a Bolívia de Evo Morales, como o sistema financeiro global, etc, e certamente este trabalho deve ser simultâneo e perene junto aos Partidos Políticos, pois a Democracia não passa de uma idéia – as Instituições da República nos provam isso –, ela ainda é um pequeno embrião entre nós!
Este espaço está destinado a hospedar artigos, entrevistas e álbuns de fotos que serão publicados e divulgados no blog do Roberto Moraes e tem como objetivo estimular o debate de idéias.
domingo, setembro 21, 2008
domingo, setembro 07, 2008
A Petrobras ainda deve muito a Campos...
Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado e Ecologista -
Advogado e Ecologista -
lfmunizz@gmail.com - http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, 06/09/2008.
Como o tempo passa rápido e como as coisas nesta cidade não avançam como poderia!
Lembro-me bem de quando ingressei – por concurso público, diga-se de passagem – nos quadros técnicos da Petrobrás há mais de 25 anos atrás.Uma empresa pública como poucas no país, promissora e vanguardista, mas que naquela ocasião sofria muito com as intervenções político-partidárias. Ainda assim, ela se superou e hoje exuberante mostra para o mundo o quanto cresceu no cenário de energia e de organização.
Infelizmente, para nós campistas, a Petrobrás cresceu muito sim, mas não incluiu a cidade de Campos em nenhum de seus importantes projetos de gestão e de apoio logístico. Na verdade a cidade apenas viu o seu nome percorrer o mundo afora na denominação do maior campo de produção do Brasil – Bacia de Campos –, mas não passou disso...
Na década de 70, bem no início das atividades de prospecção e exploração, era pública a briga entre Macaé e Campos para sediar a base da Petrobrás, muitos de nós acompanhou e muitos campistas influentes se calaram diante dos poderosos da indústria canavieira local, permitindo assim, que todo o investimento logístico e técnico, da maior zona produtiva da Petrobrás, fosse para Macaé.
Muito bem, de lá pra cá já se vão mais de 30 anos, boa parte dos profissionais técnicos embarcados moram em Campos; diariamente saem de Campos mais de 20 ônibus fretados – aproximadamente 900 funcionários/dia – levando profissionais administrativos e técnicos que trabalham na sede da empresa em Macaé, correndo um risco no mínimo desnecessário por tanto tempo de exposição na BR-101. Sem considerar o caótico trânsito em Macaé pela manhã/tarde e a falta de espaços para expansão de prédios na base de Imbetiba!
Hoje a dívida com Campos se ampliou muito. A Petrobrás está num fantástico processo de expansão no Brasil, muito por conta das novas descobertas no pré-sal e muito por conta do pioneirismo no campo dos Biocombustíveis. A Cia inaugurou recentemente as suas 03 primeiras Usinas de Biodiesel – Quixadá/CE, Candeias/BA e Montes Claros/MG – com um nítido perfil de inclusão social dos pequenos e médios produtores rurais, que terão a partir de agora a garantia de preço e de compra de seus produtos agrícolas, uma conquista de fato histórica! Uma nova e moderna sede está sendo erguida em Vitória/ES...esta semana foi decidido que nova sede também será construída na cidade de Santos/SP.
Enquanto isso a sociedade campista e particularmente os nossos produtores rurais continuam sofrendo com a lavoura de cana-de-açúcar. A “parceria” com as usinas é um vexame, ganham somente os atravessadores e as usinas que restaram! Na lavoura continua sobrando cana que somente pagam R$ 8,00/Tonelada! A cada ano que passa produzimos menos por hectare por falta de apoio técnico e por falta de maior lealdade com aqueles que de fato produzem na terra. Não adianta apenas dizer que a indústria canavieira precisa de investimentos, antes precisa de ordem, de ética e de parceria leal, coisas raras entre nós campistas!
Eu creio que a presença de uma Usina de Biocombustível e um importante segmento da alta administração da Petrobrás em Campos dos Goytacazes seria a salvação sim de nossa rica história com a cana-de-açúcar, bem como, uma tentativa audaciosa de resgate concreto de nossa micro-região (norte-fluminense), através da implantação local de modelos de gestão profissional mais comprometidos com os aspectos éticos e sócio-ambientais da atualidade. Campos merece mais do que isto que aí está, cobremos à Petrobrás e às lideranças locais!
Campos, 06/09/2008.
Como o tempo passa rápido e como as coisas nesta cidade não avançam como poderia!
Lembro-me bem de quando ingressei – por concurso público, diga-se de passagem – nos quadros técnicos da Petrobrás há mais de 25 anos atrás.Uma empresa pública como poucas no país, promissora e vanguardista, mas que naquela ocasião sofria muito com as intervenções político-partidárias. Ainda assim, ela se superou e hoje exuberante mostra para o mundo o quanto cresceu no cenário de energia e de organização.
Infelizmente, para nós campistas, a Petrobrás cresceu muito sim, mas não incluiu a cidade de Campos em nenhum de seus importantes projetos de gestão e de apoio logístico. Na verdade a cidade apenas viu o seu nome percorrer o mundo afora na denominação do maior campo de produção do Brasil – Bacia de Campos –, mas não passou disso...
Na década de 70, bem no início das atividades de prospecção e exploração, era pública a briga entre Macaé e Campos para sediar a base da Petrobrás, muitos de nós acompanhou e muitos campistas influentes se calaram diante dos poderosos da indústria canavieira local, permitindo assim, que todo o investimento logístico e técnico, da maior zona produtiva da Petrobrás, fosse para Macaé.
Muito bem, de lá pra cá já se vão mais de 30 anos, boa parte dos profissionais técnicos embarcados moram em Campos; diariamente saem de Campos mais de 20 ônibus fretados – aproximadamente 900 funcionários/dia – levando profissionais administrativos e técnicos que trabalham na sede da empresa em Macaé, correndo um risco no mínimo desnecessário por tanto tempo de exposição na BR-101. Sem considerar o caótico trânsito em Macaé pela manhã/tarde e a falta de espaços para expansão de prédios na base de Imbetiba!
Hoje a dívida com Campos se ampliou muito. A Petrobrás está num fantástico processo de expansão no Brasil, muito por conta das novas descobertas no pré-sal e muito por conta do pioneirismo no campo dos Biocombustíveis. A Cia inaugurou recentemente as suas 03 primeiras Usinas de Biodiesel – Quixadá/CE, Candeias/BA e Montes Claros/MG – com um nítido perfil de inclusão social dos pequenos e médios produtores rurais, que terão a partir de agora a garantia de preço e de compra de seus produtos agrícolas, uma conquista de fato histórica! Uma nova e moderna sede está sendo erguida em Vitória/ES...esta semana foi decidido que nova sede também será construída na cidade de Santos/SP.
Enquanto isso a sociedade campista e particularmente os nossos produtores rurais continuam sofrendo com a lavoura de cana-de-açúcar. A “parceria” com as usinas é um vexame, ganham somente os atravessadores e as usinas que restaram! Na lavoura continua sobrando cana que somente pagam R$ 8,00/Tonelada! A cada ano que passa produzimos menos por hectare por falta de apoio técnico e por falta de maior lealdade com aqueles que de fato produzem na terra. Não adianta apenas dizer que a indústria canavieira precisa de investimentos, antes precisa de ordem, de ética e de parceria leal, coisas raras entre nós campistas!
Eu creio que a presença de uma Usina de Biocombustível e um importante segmento da alta administração da Petrobrás em Campos dos Goytacazes seria a salvação sim de nossa rica história com a cana-de-açúcar, bem como, uma tentativa audaciosa de resgate concreto de nossa micro-região (norte-fluminense), através da implantação local de modelos de gestão profissional mais comprometidos com os aspectos éticos e sócio-ambientais da atualidade. Campos merece mais do que isto que aí está, cobremos à Petrobrás e às lideranças locais!
sexta-feira, agosto 29, 2008
Cidade, nosso mais importante ecossistema...
Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado e Ecologista
lfmunizz@gmail.com - http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, 29/08/2008.
Por mais que a luta ambiental nos remeta a pensar em florestas e animais, são as cidades os ecossistemas mais importantes e vitais para a humanidade pós-moderna na face da Terra.
Do alto, estes aglomerados humanos, são como verdadeiras colônias de bactérias consumindo energia e produzindo rejeitos na epiderme do planeta, cuja simbiose rudimentar de zonas hiper-complexas da dimensão humana, mantém todo o contexto numa perspectiva insustentável, caótica mesmo!
As avenidas superlotadas de veículos automotores são artérias em esclerose múltiplas, atrofiando a vida, invadindo os espaços públicos como células cancerosas, contaminando a atmosfera e conduzindo todos ao inferno dos mundos em paralisia neural!
Em recente visita à Universidade de Santa Catarina – em Florianópolis – o cientista social e urbanista, em palestra para os alunos de arquitetura e urbanismo, o colombiano Emílio Pradilla Cobos, disse que as cidades estão em crise profunda, particularmente na América Latina: “Numa perspectiva futura, até 2050 nenhuma cidade irá resolver seus problemas. Esta é uma das grandes tragédias das cidades latino-americanas causadas pelo neoliberalismo”.
Infelizmente os sinais são bastante significativos no sentido da degradação crescente das cidades e grandes metrópoles brasileiras. As nossas lideranças políticas são irracionais no quesito urbanístico e entendem patavina de sustentabilidade! Os investimentos precários em formação técnica para atuação em demandas urbanas e de organização dos espaços públicos são uma vergonha e uma enorme irresponsabilidade na maioria das cidades brasileiras e muito particularmente no Norte-Noroeste Fluminense!
Enquanto o Brasil se vangloria com o sucesso da economia, com a ascensão das classes “D” e “E” no mercado de consumo, com o estupendo avanço do mercado de construção civil e com os recordes sucessivos de vendas de automóveis e motos, todos nós assistimos atônitos ao avanço real da desordem e da desorganização social e ambiental nos espaços públicos urbanos, sem querer entrar na questão da insegurança generalizada...
As instituições democráticas de nossa frágil República latina estão no limiar de muitas mudanças paradigmáticas ou não! Os próximos anos, e talvez já estas eleições municipais, irão ditar os rumos que a sociedade brasileira e fluminense adotará para o enfrentamento crescente e veloz da desorganização sócio-ambiental que ronda todas as cidades brasileiras neste momento.
Mesmo que você tente fazer a sua parte, o engano e a contra-informação nos mantêm reféns todos ao mesmo tempo agora!
Advogado e Ecologista
lfmunizz@gmail.com - http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, 29/08/2008.
Por mais que a luta ambiental nos remeta a pensar em florestas e animais, são as cidades os ecossistemas mais importantes e vitais para a humanidade pós-moderna na face da Terra.
Do alto, estes aglomerados humanos, são como verdadeiras colônias de bactérias consumindo energia e produzindo rejeitos na epiderme do planeta, cuja simbiose rudimentar de zonas hiper-complexas da dimensão humana, mantém todo o contexto numa perspectiva insustentável, caótica mesmo!
As avenidas superlotadas de veículos automotores são artérias em esclerose múltiplas, atrofiando a vida, invadindo os espaços públicos como células cancerosas, contaminando a atmosfera e conduzindo todos ao inferno dos mundos em paralisia neural!
Em recente visita à Universidade de Santa Catarina – em Florianópolis – o cientista social e urbanista, em palestra para os alunos de arquitetura e urbanismo, o colombiano Emílio Pradilla Cobos, disse que as cidades estão em crise profunda, particularmente na América Latina: “Numa perspectiva futura, até 2050 nenhuma cidade irá resolver seus problemas. Esta é uma das grandes tragédias das cidades latino-americanas causadas pelo neoliberalismo”.
Infelizmente os sinais são bastante significativos no sentido da degradação crescente das cidades e grandes metrópoles brasileiras. As nossas lideranças políticas são irracionais no quesito urbanístico e entendem patavina de sustentabilidade! Os investimentos precários em formação técnica para atuação em demandas urbanas e de organização dos espaços públicos são uma vergonha e uma enorme irresponsabilidade na maioria das cidades brasileiras e muito particularmente no Norte-Noroeste Fluminense!
Enquanto o Brasil se vangloria com o sucesso da economia, com a ascensão das classes “D” e “E” no mercado de consumo, com o estupendo avanço do mercado de construção civil e com os recordes sucessivos de vendas de automóveis e motos, todos nós assistimos atônitos ao avanço real da desordem e da desorganização social e ambiental nos espaços públicos urbanos, sem querer entrar na questão da insegurança generalizada...
As instituições democráticas de nossa frágil República latina estão no limiar de muitas mudanças paradigmáticas ou não! Os próximos anos, e talvez já estas eleições municipais, irão ditar os rumos que a sociedade brasileira e fluminense adotará para o enfrentamento crescente e veloz da desorganização sócio-ambiental que ronda todas as cidades brasileiras neste momento.
Mesmo que você tente fazer a sua parte, o engano e a contra-informação nos mantêm reféns todos ao mesmo tempo agora!
quarta-feira, agosto 20, 2008
Como pôde a vara ter sumido diante de todo o mundo?
Teoria da conspiração?
Pelo Prof. Isaac Esqueff
Profissional da área de Educação Física - 19/08/2008
Quando falamos em jogos olímpicos, principalmente quando temos nossos atletas disputando-os, somos arremetidos aos primórdios das olimpíadas, época em que havia um certo ar romântico relacionado à prática esportiva num evento que aglomerava as massas e que, por um breve momento de tempo, acalmava os embates que naquela época eram tanto comuns e que faziam parte de toda a sociedade.
Com relação à prática desportiva, tem-se em sua essência o espírito de justiça e de igualdade, principalmente, pelos pressupostos relacionados ao que hoje denominamos de Fair-play. Muito tempo se passou e este ar romântico foi posto à prova mais uma vez, principalmente pela possibilidade da existência de uma "teoria da conspiração" relacionada ao sumiço da 10ª vara, a ser utilizada pela competidora brasileira Fabiana Murer em condições fora do normal, quando estamos a assistir o maior evento esportivo de todos os tempos, os jogos olímpicos de Beijing -2008.
Pode parecer um tanto absurdo, mas falo de teoria da conspiração sim, pois há uma atmosfera sombria diante do episódio ocorrido. Vejamos:
Fabiana e seu treinador eram amigos e realizavam treinamentos e intercâmbio com o técnico russo Vitaly Petrov e sua pupila, a atleta russa Yelena Isinbayeva. Ambos treinavam e trocavam informações técnicas e ambos insistiam e persistiam na tese de terem suas "pupilas" glorificadas com uma medalha olímpica. Yelena Isinbayeva é sem sombra de dúvidas a maior atleta mundial de sua categoria e era sem exageros, a maior candidata à medalha de ouro, mas Fabiana Murer, despontava na modalidade de salto com vara, principalmente pelo fato da mesma ser recordista brasileira e sul americana do salto com vara e por em 2008, ter estabelecido a marca de 4,80 m durante a disputa do Troféu Brasil de Atletismo.
O que pode "obscuramente" ter ocorrido, é o fato do sumiço da vara ter sido proposital, um plano milimetricamente arquitetado para que assim, Yelena Isinbayeva não tivesse uma pedra em seu caminho e esta pedra, Fabiana Murer, despontava e surpreendia a todos, principalmente, após ter batido o recorde sul-americano em Valência, na Espanha em março de 2008.
Sei que serei tomado como ridículo através de minha "teoria da conspiração", mas não duvido de que esta possibilidade possa ter algum fundamento, principalmente, pelo fato da organização dos jogos olímpicos simplesmente terem extraviado a vara da brasileira, que foi entregue aos organizadores do evento dentro do porta-varas, tudo devidamente lacrado e informado.
Sabemos que a China possui estreitos laços diplomáticos com a Rússia e assim sendo, não está longe a possibilidade de ter havido um acordo entre amigos, principalmente pelo fato de não haver nenhuma atleta chinesa que estivesse entre Yelena Isinbayeva e a brasileira.
Esta "teoria da conspiração" não é tão absurda, principalmente após o resultado da final do salto com vara feminino: Na prova, a russa Yelena Isinbayeva bateu o novo recorde mundial, saltando 5,05 metros. A norte-americana Jennifer Stuczynski ficou com a prata, saltando 4,80, mesma marca que Fabiana Murer fez no Troféu Brasil neste ano.
Aos que duvidam de uma "teoria da conspiração", finalizo citando Shakespeare: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia". Assim sendo, os deuses do Olimpo sabem da verdade e a guardarão por toda a eternidade.
Pelo Prof. Isaac Esqueff
Profissional da área de Educação Física - 19/08/2008
Quando falamos em jogos olímpicos, principalmente quando temos nossos atletas disputando-os, somos arremetidos aos primórdios das olimpíadas, época em que havia um certo ar romântico relacionado à prática esportiva num evento que aglomerava as massas e que, por um breve momento de tempo, acalmava os embates que naquela época eram tanto comuns e que faziam parte de toda a sociedade.
Com relação à prática desportiva, tem-se em sua essência o espírito de justiça e de igualdade, principalmente, pelos pressupostos relacionados ao que hoje denominamos de Fair-play. Muito tempo se passou e este ar romântico foi posto à prova mais uma vez, principalmente pela possibilidade da existência de uma "teoria da conspiração" relacionada ao sumiço da 10ª vara, a ser utilizada pela competidora brasileira Fabiana Murer em condições fora do normal, quando estamos a assistir o maior evento esportivo de todos os tempos, os jogos olímpicos de Beijing -2008.
Pode parecer um tanto absurdo, mas falo de teoria da conspiração sim, pois há uma atmosfera sombria diante do episódio ocorrido. Vejamos:
Fabiana e seu treinador eram amigos e realizavam treinamentos e intercâmbio com o técnico russo Vitaly Petrov e sua pupila, a atleta russa Yelena Isinbayeva. Ambos treinavam e trocavam informações técnicas e ambos insistiam e persistiam na tese de terem suas "pupilas" glorificadas com uma medalha olímpica. Yelena Isinbayeva é sem sombra de dúvidas a maior atleta mundial de sua categoria e era sem exageros, a maior candidata à medalha de ouro, mas Fabiana Murer, despontava na modalidade de salto com vara, principalmente pelo fato da mesma ser recordista brasileira e sul americana do salto com vara e por em 2008, ter estabelecido a marca de 4,80 m durante a disputa do Troféu Brasil de Atletismo.
O que pode "obscuramente" ter ocorrido, é o fato do sumiço da vara ter sido proposital, um plano milimetricamente arquitetado para que assim, Yelena Isinbayeva não tivesse uma pedra em seu caminho e esta pedra, Fabiana Murer, despontava e surpreendia a todos, principalmente, após ter batido o recorde sul-americano em Valência, na Espanha em março de 2008.
Sei que serei tomado como ridículo através de minha "teoria da conspiração", mas não duvido de que esta possibilidade possa ter algum fundamento, principalmente, pelo fato da organização dos jogos olímpicos simplesmente terem extraviado a vara da brasileira, que foi entregue aos organizadores do evento dentro do porta-varas, tudo devidamente lacrado e informado.
Sabemos que a China possui estreitos laços diplomáticos com a Rússia e assim sendo, não está longe a possibilidade de ter havido um acordo entre amigos, principalmente pelo fato de não haver nenhuma atleta chinesa que estivesse entre Yelena Isinbayeva e a brasileira.
Esta "teoria da conspiração" não é tão absurda, principalmente após o resultado da final do salto com vara feminino: Na prova, a russa Yelena Isinbayeva bateu o novo recorde mundial, saltando 5,05 metros. A norte-americana Jennifer Stuczynski ficou com a prata, saltando 4,80, mesma marca que Fabiana Murer fez no Troféu Brasil neste ano.
Aos que duvidam de uma "teoria da conspiração", finalizo citando Shakespeare: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia". Assim sendo, os deuses do Olimpo sabem da verdade e a guardarão por toda a eternidade.
quarta-feira, junho 25, 2008
...Ratazanas ganharão abrigo municipal?!
Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, ex-presidente do CNFCN - lfmunizz@gmail.com
http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, Junho/2008.
O projeto para fechamento do Canal Campos – Macaé em sua área urbana, anunciado pelos Garotinhos como projeto de campanha, é na verdade uma idéia antiga de muitos políticos e empresários locais, inclusive do Sr. Arnaldo Viana e Sr. Mocaiber, e que evidencia bem o mau-caratismo crônico que foi instalado nesta cidade!
Transformar toda aquela área central nobre em lotes comerciais para barganha e muito lucro, enquanto os esgotos jorram dia e noite sem controle e responsabilidade, servido de abrigo seguro para proliferação de vetores de todo o tipo, e, contaminando cursos d’água que se interligam com a Lagoa Feia, a mesma que é responsável por boa parte do pescado comercializado na cidade, é coisa de velhaco!
Será possível que estes políticos não tenham em seus contextos partidários bons profissionais de saneamento e saúde pública, para orientar e assessorar as suas lideranças antes de vir a público esbravejar asneiras sem tamanho? Pois é possível sim! Tratando-se de Garotinhos, de Doutor Arnaldo Viana e de Doutor Mocaiber tudo é possível!
Desde a construção da famigerada ponte da flor – um verdadeiro elefante branco no centro de Campos dos Goytacazes – de maneira pouco legal e técnica, cujos efeitos dramáticos com o trânsito, com o escoamento de água pluvial, com a estética local e com a vizinhança em geral, que os Garotinhos firmaram compromissos com obras irresponsáveis e espetaculares. Nem mesmo o Ministério Público – Estadual e Federal - nem o Judiciário foram cuidadosos em registrar e fazer valia daquilo que os vários profissionais de urbanismo haviam manifestado, os ambientalistas protocolado como Representação e o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo deliberado contra aquela obra sem critérios adequados e liderada por um órgão estadual de Estradas e Rodagem (?)... aqui prevaleceu uma visão extremamente míope tão somente... hoje sofremos todos!
Agora, mais uma vez ressurge a idéia do “valão” fétido e abandonado propositalmente ao longo dos anos: lá não há obras de manutenção real, não há manejo de comportas, não há fiscalização com o esgoto despejado a céu aberto, não há o mínimo de preocupação do Poder Público com este Patrimônio Histórico tombado pelo Inepac, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Há sim o compromisso com o lucro político e monetário por meio do desastre e da máxima do “quanto pior melhor”.
Novos episódios surgirão e eu espero que a estrutura dos poderes locais seja capaz de fazer valer hoje, o que o mundo todo está tentando discutir e aplicar democraticamente em matéria de Desenvolvimento Urbano Sustentável! Veremos a nossa capacidade coletiva de evoluir...ou não!
Advogado, ex-presidente do CNFCN - lfmunizz@gmail.com
http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, Junho/2008.
O projeto para fechamento do Canal Campos – Macaé em sua área urbana, anunciado pelos Garotinhos como projeto de campanha, é na verdade uma idéia antiga de muitos políticos e empresários locais, inclusive do Sr. Arnaldo Viana e Sr. Mocaiber, e que evidencia bem o mau-caratismo crônico que foi instalado nesta cidade!
Transformar toda aquela área central nobre em lotes comerciais para barganha e muito lucro, enquanto os esgotos jorram dia e noite sem controle e responsabilidade, servido de abrigo seguro para proliferação de vetores de todo o tipo, e, contaminando cursos d’água que se interligam com a Lagoa Feia, a mesma que é responsável por boa parte do pescado comercializado na cidade, é coisa de velhaco!
Será possível que estes políticos não tenham em seus contextos partidários bons profissionais de saneamento e saúde pública, para orientar e assessorar as suas lideranças antes de vir a público esbravejar asneiras sem tamanho? Pois é possível sim! Tratando-se de Garotinhos, de Doutor Arnaldo Viana e de Doutor Mocaiber tudo é possível!
Desde a construção da famigerada ponte da flor – um verdadeiro elefante branco no centro de Campos dos Goytacazes – de maneira pouco legal e técnica, cujos efeitos dramáticos com o trânsito, com o escoamento de água pluvial, com a estética local e com a vizinhança em geral, que os Garotinhos firmaram compromissos com obras irresponsáveis e espetaculares. Nem mesmo o Ministério Público – Estadual e Federal - nem o Judiciário foram cuidadosos em registrar e fazer valia daquilo que os vários profissionais de urbanismo haviam manifestado, os ambientalistas protocolado como Representação e o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo deliberado contra aquela obra sem critérios adequados e liderada por um órgão estadual de Estradas e Rodagem (?)... aqui prevaleceu uma visão extremamente míope tão somente... hoje sofremos todos!
Agora, mais uma vez ressurge a idéia do “valão” fétido e abandonado propositalmente ao longo dos anos: lá não há obras de manutenção real, não há manejo de comportas, não há fiscalização com o esgoto despejado a céu aberto, não há o mínimo de preocupação do Poder Público com este Patrimônio Histórico tombado pelo Inepac, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. Há sim o compromisso com o lucro político e monetário por meio do desastre e da máxima do “quanto pior melhor”.
Novos episódios surgirão e eu espero que a estrutura dos poderes locais seja capaz de fazer valer hoje, o que o mundo todo está tentando discutir e aplicar democraticamente em matéria de Desenvolvimento Urbano Sustentável! Veremos a nossa capacidade coletiva de evoluir...ou não!
terça-feira, junho 03, 2008
Outras faces da urgência ambiental
Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, ex-presidente do CNFCN - lfmunizz@gmail.com
http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, Junho/2008.
Na chegada de mais uma semana dedicada ao Meio Ambiente salta aos olhos o desconforto e o conflito que impera entre os defensores dos modelos tradicionais de desenvolvimento: os “desenvolvimentistas”, e os que anunciam e lutam pela Sustentabilidade dos ecossistemas urbanos, rurais e naturais, dito por muitos como os que buscam o desenvolvimento sustentável, mas que preferimos chamá-los como: os ecos-desenvolvimentistas.
Mesmo que hoje tenhamos no mundo e no Brasil uma maior consciência com relação aos graves e profundos efeitos da omissão e maus tratos de nossa civilização – as Mudanças Climáticas estão aí para provar –, desde a Revolução Industrial (séc. XVII), para com os ecossistemas naturais, ainda são muito tímidas as ações e as políticas conduzidas pelos governantes e empresários em geral. Basta conhecer melhor o quê motivou a ex-ministra Marina Silva a abandonar a pasta do Meio Ambiente na esfera Federal, dias atrás.
Boa parte das ações destes segmentos continua focada na obtenção de uma melhor imagem de suas instituições, passando uma idéia de vanguardismo junto ao público em geral e aos consumidores em potencial. Mas camuflam habilmente suas verdadeiras intenções, pois as questões de base não são tratadas, nem há qualquer planejamento para mudanças de rumo na busca de Cidades Sustentáveis ou modelos Sustentáveis de Desenvolvimento.
O termo Sustentabilidade é largamente utilizado hoje, pelos empresários e políticos, porém, fora do seu significado original, pois não incluem a lógica complexa dos processos naturais ecossistêmicos, mas tão somente as de “sustentabilidade” dos seus negócios e do mercado financeiro global, portanto, boa parte da propaganda de “responsabilidade ambiental” é enganosa sim!
É evidente que o esforço coletivo deve prosseguir impulsionando a Educação Ambiental em todos os níveis, como muito bem disposto na Lei Federal 9.795/1999. Continua imprescindível que todos tenhamos uma visão mais abrangente e complexa da discussão e do tema, fazendo com que a arte, as expressões culturais regionais, o modus de vida mais simples de comunidades periféricas, as terapias alternativas, as práticas esportivas comunitárias, a criação de organizações civis de base, a identificação regional do espaço geo-político de inserção sócio-ambiental, dentre outras ações, façam parte de um só mosaico educacional e experimental. Entretanto, as urgências de hoje não mais nos permitem este limite!
A nossa região, por exemplo, está sendo invadida por megaprojetos “estruturantes” – Porto, Termoelétrica, Minerodutos, Aeroporto Internacional, etc –, encontrando as nossas instituições públicas de regulação e fiscalização em frangalhos e desestruturadas político administrativamente, mesmo após anos de fartos recursos dos “royalties” do petróleo.
Somado a isto temos a bestial crise política dos Poderes no município de Campos dos Goytacazes, cujos reflexos se espalham em toda a região. Hoje nenhum município do Norte-Fluminense possui um Plano Estratégico, integrado ou não, para dirimir e tratar os reflexos negativos inevitáveis dos novos empreendimentos gigantescos, em implantação veloz. Assim, como platéia atordoada, os líderes e a cidadania, assistem atônitos ao avanço desregrado dos empreendimentos imobiliários, do caos no trânsito urbano e periférico, do desmedido avanço real da insegurança e da criminalidade em todos os níveis, dentre outros danos que não tardarão a chegar!
Não devemos permitir transformar esta semana em mais uma de festejos e comemorações juvenis, não há o quê comemorar e sim o quê fazer! A seriedade e as urgências, que envolvem a questão, devem sim nos remeter todos a planos outros de reflexão e de mudanças reais, ainda não implementadas por aqui, isso, enquanto há algum tempo!
Advogado, ex-presidente do CNFCN - lfmunizz@gmail.com
http://luizfelipemunizdesouza.zip.net/
Campos, Junho/2008.
Na chegada de mais uma semana dedicada ao Meio Ambiente salta aos olhos o desconforto e o conflito que impera entre os defensores dos modelos tradicionais de desenvolvimento: os “desenvolvimentistas”, e os que anunciam e lutam pela Sustentabilidade dos ecossistemas urbanos, rurais e naturais, dito por muitos como os que buscam o desenvolvimento sustentável, mas que preferimos chamá-los como: os ecos-desenvolvimentistas.
Mesmo que hoje tenhamos no mundo e no Brasil uma maior consciência com relação aos graves e profundos efeitos da omissão e maus tratos de nossa civilização – as Mudanças Climáticas estão aí para provar –, desde a Revolução Industrial (séc. XVII), para com os ecossistemas naturais, ainda são muito tímidas as ações e as políticas conduzidas pelos governantes e empresários em geral. Basta conhecer melhor o quê motivou a ex-ministra Marina Silva a abandonar a pasta do Meio Ambiente na esfera Federal, dias atrás.
Boa parte das ações destes segmentos continua focada na obtenção de uma melhor imagem de suas instituições, passando uma idéia de vanguardismo junto ao público em geral e aos consumidores em potencial. Mas camuflam habilmente suas verdadeiras intenções, pois as questões de base não são tratadas, nem há qualquer planejamento para mudanças de rumo na busca de Cidades Sustentáveis ou modelos Sustentáveis de Desenvolvimento.
O termo Sustentabilidade é largamente utilizado hoje, pelos empresários e políticos, porém, fora do seu significado original, pois não incluem a lógica complexa dos processos naturais ecossistêmicos, mas tão somente as de “sustentabilidade” dos seus negócios e do mercado financeiro global, portanto, boa parte da propaganda de “responsabilidade ambiental” é enganosa sim!
É evidente que o esforço coletivo deve prosseguir impulsionando a Educação Ambiental em todos os níveis, como muito bem disposto na Lei Federal 9.795/1999. Continua imprescindível que todos tenhamos uma visão mais abrangente e complexa da discussão e do tema, fazendo com que a arte, as expressões culturais regionais, o modus de vida mais simples de comunidades periféricas, as terapias alternativas, as práticas esportivas comunitárias, a criação de organizações civis de base, a identificação regional do espaço geo-político de inserção sócio-ambiental, dentre outras ações, façam parte de um só mosaico educacional e experimental. Entretanto, as urgências de hoje não mais nos permitem este limite!
A nossa região, por exemplo, está sendo invadida por megaprojetos “estruturantes” – Porto, Termoelétrica, Minerodutos, Aeroporto Internacional, etc –, encontrando as nossas instituições públicas de regulação e fiscalização em frangalhos e desestruturadas político administrativamente, mesmo após anos de fartos recursos dos “royalties” do petróleo.
Somado a isto temos a bestial crise política dos Poderes no município de Campos dos Goytacazes, cujos reflexos se espalham em toda a região. Hoje nenhum município do Norte-Fluminense possui um Plano Estratégico, integrado ou não, para dirimir e tratar os reflexos negativos inevitáveis dos novos empreendimentos gigantescos, em implantação veloz. Assim, como platéia atordoada, os líderes e a cidadania, assistem atônitos ao avanço desregrado dos empreendimentos imobiliários, do caos no trânsito urbano e periférico, do desmedido avanço real da insegurança e da criminalidade em todos os níveis, dentre outros danos que não tardarão a chegar!
Não devemos permitir transformar esta semana em mais uma de festejos e comemorações juvenis, não há o quê comemorar e sim o quê fazer! A seriedade e as urgências, que envolvem a questão, devem sim nos remeter todos a planos outros de reflexão e de mudanças reais, ainda não implementadas por aqui, isso, enquanto há algum tempo!
sábado, maio 03, 2008
Considerações à professora Arlete
Bruno Lindolfo
Universitário de Direito
Na época ainda era "Tia" Arlete. Faz tempo, um tempo saudoso de uma escola da qual guardo apenas coisas boas de pessoas maravilhosas. Se não me engano, era de sua autoria a singela musiquinha que nos ensinava a verdade como talismã, acompanhada de palmas e estalos dos dedos, que não consigo estalar até hoje. Mas o talismã ficou, e em nome dele me sinto à vontade para fazer algumas observações, com esperança, alegria e amor na certeza do sucesso do amanhã, para que ele seja, também para nossa Campos, a consubstanciação de um sonho que se fez.
Foi com grande pesar e tristeza que recebi a notícia da adesão da professora Arlete ao governo que entrará para a história da cidade como o mais corrupto, cínico e dissimulado. Convites travestidos de "vontade de acertar" ao apagar das luzes de um governo que propositalmente locupletou-se nos erros é querer o verniz da vergonha alheia para quem sabe salvar do soçobro o combalido e moribundo (des)governo que naufraga.
Não se questiona a competência e a vontade de acertar da professora Arlete. Questiona-se o tempo, que não é hábil para desenvolver qualquer projeto, e a adesão a quem escolheu desde sempre o caminho tortuoso da imoralidade, emprestando um brilhantismo galgado por conta própria, a servir de esteio ético e moral a quem nunca os teve, nem ao menos como artigo de luxo.
O momento sem precedentes da história do município só demonstra o erro cometido há 20 anos e que necessita de urgente reparo. Um mesmo grupo que hoje fragmentado, mas unido pelos laços genéticos da politicagem por congregar os mesmos vícios imanentes. Urge colocá-los para fora, na construção de um projeto sério, comprometido com a ética no trato da coisa pública e a com grandeza que a cidade possibilita por sua infinidade de recursos.
Esse é o momento de unirmos as pessoas de bem da cidade, como a professora Arlete, para pensarmos um projeto novo, um novo caminho, uma nova ordem; não é o momento para socorrer quem não merece e insistir nos mesmos erros infinitamente.
Lastimável e lamentável o silêncio da academia durante tantos anos e em face de tantos desmandos, e um lampejo de ação tardio, inapropriado e em momento inoportuno. Melhor seria permanecer silente.
Crítica extensiva aos demais grupos da sociedade civil organizada e, também, à Igreja que, como a academia, há muito dissociou corpo e espírito, cuidando desse e esquecendo que aquele também sofre os augúrios terrenos, afastaram-se do púlpito, esqueceram de prelecionar o pecado do roubo e foram tomados pela letargia cômoda que pode conduzir a qualquer lugar, exceto à imortalidade.
Constrói-se, assim, a conjuntura que permanecerá segregando os mortais da academia, esses que estudam nas escolas com os piores índices de educação do estado, convivem com os piores índices de geração de emprego, os piores índices de capacitação, os piores índices de IDH, da falta de planejamento urbano, administrativo, industrial, da carência de pólo de trabalho, da eterna e promíscua dependência do poder público, deitados em berço esplêndido e embalados ao som tilintante de 1 bi e meio.
Campos merece mais, e a professora Arlete também.
Universitário de Direito
Na época ainda era "Tia" Arlete. Faz tempo, um tempo saudoso de uma escola da qual guardo apenas coisas boas de pessoas maravilhosas. Se não me engano, era de sua autoria a singela musiquinha que nos ensinava a verdade como talismã, acompanhada de palmas e estalos dos dedos, que não consigo estalar até hoje. Mas o talismã ficou, e em nome dele me sinto à vontade para fazer algumas observações, com esperança, alegria e amor na certeza do sucesso do amanhã, para que ele seja, também para nossa Campos, a consubstanciação de um sonho que se fez.
Foi com grande pesar e tristeza que recebi a notícia da adesão da professora Arlete ao governo que entrará para a história da cidade como o mais corrupto, cínico e dissimulado. Convites travestidos de "vontade de acertar" ao apagar das luzes de um governo que propositalmente locupletou-se nos erros é querer o verniz da vergonha alheia para quem sabe salvar do soçobro o combalido e moribundo (des)governo que naufraga.
Não se questiona a competência e a vontade de acertar da professora Arlete. Questiona-se o tempo, que não é hábil para desenvolver qualquer projeto, e a adesão a quem escolheu desde sempre o caminho tortuoso da imoralidade, emprestando um brilhantismo galgado por conta própria, a servir de esteio ético e moral a quem nunca os teve, nem ao menos como artigo de luxo.
O momento sem precedentes da história do município só demonstra o erro cometido há 20 anos e que necessita de urgente reparo. Um mesmo grupo que hoje fragmentado, mas unido pelos laços genéticos da politicagem por congregar os mesmos vícios imanentes. Urge colocá-los para fora, na construção de um projeto sério, comprometido com a ética no trato da coisa pública e a com grandeza que a cidade possibilita por sua infinidade de recursos.
Esse é o momento de unirmos as pessoas de bem da cidade, como a professora Arlete, para pensarmos um projeto novo, um novo caminho, uma nova ordem; não é o momento para socorrer quem não merece e insistir nos mesmos erros infinitamente.
Lastimável e lamentável o silêncio da academia durante tantos anos e em face de tantos desmandos, e um lampejo de ação tardio, inapropriado e em momento inoportuno. Melhor seria permanecer silente.
Crítica extensiva aos demais grupos da sociedade civil organizada e, também, à Igreja que, como a academia, há muito dissociou corpo e espírito, cuidando desse e esquecendo que aquele também sofre os augúrios terrenos, afastaram-se do púlpito, esqueceram de prelecionar o pecado do roubo e foram tomados pela letargia cômoda que pode conduzir a qualquer lugar, exceto à imortalidade.
Constrói-se, assim, a conjuntura que permanecerá segregando os mortais da academia, esses que estudam nas escolas com os piores índices de educação do estado, convivem com os piores índices de geração de emprego, os piores índices de capacitação, os piores índices de IDH, da falta de planejamento urbano, administrativo, industrial, da carência de pólo de trabalho, da eterna e promíscua dependência do poder público, deitados em berço esplêndido e embalados ao som tilintante de 1 bi e meio.
Campos merece mais, e a professora Arlete também.
Assinar:
Postagens (Atom)