segunda-feira, janeiro 29, 2007

Notas sobre o cotidiano

Fábio Siqueira
Historiador e professor
e-mail: fabiogsiqueira@ig.com.br

Estou devendo o artigo a este amigo/blogueiro, mas valho-me deste e-mail para comentar algumas questões em voga:

1) O Flamengo estreou com boa vitória no Campeonato já saltando na ponta de seu grupo de forma isolada, pena que meu entusiasmo durou pouco. Surpreendido pelo arrombamento do carro de meu amigo Professor Gustavo "kbça", na companhia de quem assisti a partida constatei que o meliante resolveu levar o CD player, objeto do furto, dentro de minha mochila, sem objetos de valor material, mas cheia de documentos, agendas e papéis que me farão muita falta. Se o blog puder ser veículo de minha esperança - não sei se cabe na "linha editorial"- gratifico quem devolver tais documentos, papéis e agendas que se encontravam em uma mochila verde-musgo da grife "water-proff" (pena que também não era à prova de ladrão). Contatos: 8126-3455; 27321508 ou 27222696;

2)O desapontamento causado pelo fato acima descrito tirou parte de meu entusiasmo diante da boa vitória do escrete canarinho sub-20 no sul-americano da categoria, disputado no Paraguai. Com a vitória sobre os donos da casa, o Brasil depende de um empate com a Colômbia, lanterna do hexagonal final para garantir vaga em Pequim;

3) Mais uma má notícia pela manhã, depois de mais de três anos sem ver o Mengão jogar em Campos, corremos o risco de cancelamento do jogo previsto para domingo no Godofredo Cruz, ou da realização do mesmo com portões fechados. Não está definido se serão vendidos ingressos para o jogo e em caso positivo se estarão disponíveis dois mil ou sete mil ingressos, tampouco quando se iniciará, ou se haverá, venda antecipada. Não quero entrar em polêmica com as autoridades competentes mas, da última vez que estive naquele estádio, no último clássico Goytacaz x Americano, pelo Brasileiro da série C de 2004 - ou 2003? - o estádio estava lotado e não houve qualquer problema;

4) O DM do PT vai eleger presidente na próxima quarta. O "companheiro" Helio Anomal se assanha para voltar ao cargo com o aparente - e inacreditável - apoio da Articulação. Contudo o script parece condenado a surpresas e "cacos" para desgosto da provável dobradinha. Outros setores representativos das duas chapas que disputaram o PED articulam, com viabilidade, uma candidatura capaz de oxigenar e democratizar o DM. Se a Articulação mantiver o apoio a Anomal o quadro apontaria hoje um empate em 16 a 16, com a decisão ficando na mão de quatro votos indefinidos e consequentemente, imprevisível. É o velho PT! Hora de calçar as chuteiras meu bom Blogueiro.
Abraço, Fábio Siqueira.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

O Congresso é a Geni?

Fábio Siqueira é professor e historiador
e-mail:
fabiogsiqueira@ig.com.br

Mais uma vez, desfruto da generosidade de meu amigo Roberto Moraes, para ocupar este seu prestigiado blog com algumas reflexões. Esta consideração preliminar se deve, a recente constatação em conversa com amigos que conhecem a mídia local, onde fiquei assustado com projeções sobre o pequeno número de leitores de jornais diários em Campos. Acho que, considerar a pequena proporção dos que se atêm a artigos e páginas de opinião, ajuda a entender um pouco o quadro sócio-político local. Por isso, é bom ter acesso à interlocução com um público qualificado e crítico, na expectativa de atrair a atenção de pelo menos parte dele. Estou tomando gosto pela coisa, é uma “cachaça” como diz nosso blogueiro.

Na “ordem do dia” a maior polêmica do momento: o aumento salarial dos membros do Congresso Nacional. Longe de mim, assalariado sem reajuste desde que tomei posse no serviço público – isso mesmo, o mesmo piso salarial há oito anos! – tomar a defesa de nosso nobre colégio de líderes partidários, responsável pela decisão. Mas, quem atira as pedras?

Escrevo no dia em que o Exmo. – ou seria Mmo. – colegiado do STF decidiu sustar o polêmico aumento. A propósito, qual é mesmo o salário dos Ministros (as) do STF? Respondo: exatamente o mesmo, aliás, parâmetro para o valor aprovado pelos achincalhados parlamentares. Onde estava a severa opinião pública e sua vetusta tutora, a grande imprensa, quando os doutos magistrados da Corte Suprema concederam a si mesmos os nababescos salários? Alguém já experimentou a edificante experiência de assistir à relevante programação da TV Justiça? Vale conferir, sobretudo a performance do Exmo. Ministro Marco Aurélio Mello! Quem delegou a esta corte o poder de garantir para si o mesmo salário que julgam ilegal para outro poder? O povo?

E por falar em interesse popular, será que o Poder Judiciário atende melhor aos interesses da sociedade que o Poder Legislativo? Em que será que o Roberto Jefferson ou o Severino são piores que o Nicolau “Lalau” e o Rocha Mattos? Qual o destaque que a grande imprensa, grande guardiã do interesse da opinião pública, tem dado ao relevante debate sobre o controle externo do judiciário? E qual será o salário da Miriam Leitão – que, como noticiou este blog goza da grande admiração de Roberto Jefferson? Qual o aumento que a Globo concedeu a ela em sua data base? Será que o Alexandre Garcia era tão implacável com o Congresso na ditadura? Naquela época os deputados ganhavam menos ou ele era mais complacente?

Todas essas questões me fazem lembrar da canção Geni e o Zepelim, do mestre Chico Buarque. É inegável que, com grande inabilidade, a maioria dos Deputados federais e Senadores se submeteu a um desgaste imenso, agindo de maneira indefensável. Assemelham-se assim à heroína da canção, que não reivindica virtude porque obviamente não a possui. Destacam-se, porém, na obra de Chico os hipócritas personagens da “boa sociedade” que, igualados a Geni e, até mesmo salvos por ela, não hesitam em atirar-lhe pedras no dia seguinte.

Gostei muito de uma imagem que o Franklin Martins relacionou à “opinião pública” em recente artigo sobre esse mesmo tema. Esta seria uma senhora viúva, de boa índole, mas preconceituosa, moralista e um tanto ignorante, sujeita, portanto, a juízos de valor simplistas e equivocados. Seria oportuno que esta típica senhora de classe média se lembrasse que toda sociedade é responsável pela ELEIÇÃO do Congresso Nacional. Seus membros, independentemente de erros e acertos, representam os cidadãos. Suas atitudes, mesmo as piores, refletem a sociedade em suas qualidades e defeitos, como se fossem o espelho da viúva em questão. Infelizmente, não podemos escolher, nem cassar ou punir os que ocupam redações e microfones dos jornalões e emissoras de TV, que formam “nossa” opinião, nem os bem pagos membros da Corte Suprema.

PS.: Apesar de tudo, otimista incorrigível, tenho boas expectativas para o ano novo que se avizinha. Despeço-me temporariamente dos poucos que resistiram a todas as linhas desse artigo – sei que preciso ser mais conciso, chego lá! – desejando boas festas e um feliz 2007.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Nosso lema é sofrer, sofrer?

Fábio Siqueira
Historiador e professor
e-mail:
fabiogsiqueira@ig.com.br

Aqui estamos nós de novo nesse prestigiado blog e, mais uma vez, apesar de não ter a intenção de caracterizar a nossa participação como de articulista esportivo, sou instado pelas circunstâncias a iniciar este texto pelo apaixonante tema do futebol!

Como foi bonito ver nesse blog imagens da grande “vitória” que foi o empate arrancado pelo Goyta na Ilha do Governador no último sábado. Como foi bom, impossibilitado de acompanhar de perto tal feito, sentir nas ruas da cidade a intensa alegria de dezenas de torcedores alvi-anis logo após a “conquista”.

Mas, vem a velha sina de novo e quem diria – coisas do futebol – o antigo algoz é paradoxalmente lembrado como garantia da efetivação da conquista. Mas ele agora é saudade. É por isso que o futebol é tão apaixonante, e o livro do Roberto sucesso de antemão. Sobre futebol e literatura, um parêntese: está na minha lista de leituras um livro de um jornalista escocês cujo título Futebol e Guerra remete à invasão da Ucrânia pela Alemanha nazista nos anos 40, e que trata da saga do glorioso escrete do Dínamo de Kiev neste contexto, vale conferir.

Voltando a realidade do Goyta, o sofrimento me enseja antiga inquietação. Juro que não é ressentimento nem dor de cotovelo. Alguns interlocutores podem confirmar que já fiz, timidamente, este questionamento. Timidamente por saber que suscitaria grande polêmica mesmo reservadamente, como de fato se deu. Pois agora, no calor da paixão, lá vai: qual o papel do MP?

Conheço a resposta formal no cenário institucional brasileiro. Mas essa instituição sempre me preocupou. Não nego seu importante papel em momentos marcantes na história recente do Brasil. Reconheço que têm funcionado como fator de maturidade da democracia brasileira. Mas há, a meu juízo, uma gama grande e imprecisa de atribuições relativas ao MP e uma necessidade de tornar a informação sobre as funções e o funcionamento desta instituição mais acessível aos cidadãos. Além disso, com todo o respeito, o comportamento de alguns procuradores se assemelha ao de um pavão!

Essa mistura de personalismo e concentração de poder, não é à toa que o MP é chamado de Quarto Poder, pode ter sido benéfica em alguns momentos, mas me parece perigosa. Sei o tamanho da provocação que faço aqui mas, não consigo conceber que não haja no contexto sócio-político do RJ algum problema mais relevante que a seletiva para atrair a atenção do MP!

Como conseqüência dessa concentração de poder do MP e da Vênus platinada, estamos nós, de novo, vendo escapar pelos dedos o acesso do Goyta à primeira divisão. Apesar da licença poética no título, no campo de jogo fizemos valer o nosso glorioso hino: VENCEMOS! Quanto aos próximos capítulos desta “novela”, com desfecho previsto para 2008, já serão material para que nosso blogueiro comece a pensar em um segundo volume.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Altruísmo, malas e pãezinhos

Fábio Siqueira
Historiador e professor
Sei que este prestigiado blog só tem tido espaço, no que se refere a futebol, para destacar a heróica campanha do Goyta na seletiva em disputa. Mas como o último sucesso frente o Villa Rio já foi suficientemente comemorado e comentado por aqui, não resisto a provocar a discussão sobre o que se passa com o Flamengo – paixão que também compartilho com o blogueiro. Como explicar esta derrota para a Ponte Preta? Creio que não se trata apenas de acomodação por estarmos livres do rebaixamento e classificados para a Libertadores - o que, convenhamos, é mais do que poderíamos esperar considerando as últimas temporadas e o início do ano.

Não sei se andam se inspirando em Robin Hood lá pela Gávea, pois os bons resultado contra times que disputam posições entre os dez primeiros colocados como o "Furacão", o Goiás e o Paraná são alternados com outros frustrantes como o modesto empate com o rebaixado Santa Cruz e a derrota para a "Macaca", que está com o pé na cova.

Confesso contudo, que após a terceira repetição da cobrança de penâlti inexistente, marcado aos 47 minutos do primeiro tempo, com direito a mudança de batedor após a segunda defesa do Bruno, me lembrei imediatamente de animado papo que entabulei esta semana sobre “causos” e traquinagens envolvendo o famoso “homem da mala”, figura que costuma “motivar” árbitros a serem compreensivos com times da casa. Há inclusive um “causo” em que, em situação idêntica a aqui citada, o juiz teria exigido a troca do batedor após a segunda cobrança!

Só espero que o espírito "altruísta" do Mengo não contagie o Goyta na quarta, diante do moribundo Duque de Caxias!

Mais estapafúrdia que a derrota do Flamengo, só mesmo a polêmica envolvendo o pãozinho francês! Será que dá para algum especialista em pesos e medidas manifestar-se de forma clara provando que é IMPOSSÍVEL que a situação atual seja prejudicial ao consumidor? Os pretensos lesados devem atentar para o fato de que eram tungados antes, quando compravam pãezinhos de "50 g" que deviam pesar 40g ou menos. Agora, a mercadoria vale quanto pesa!

Criar polêmica sobre possíveis efeitos negativos da lei que determinou a venda a peso só interessa ao velho demagogo que, ainda atordoado pela acachapante derrota nas urnas busca um factóide com apelo popular para melhorar sua imagem. Os verdadeiros liberais teriam uma sugestão melhor para os consumidores insatisfeitos: que tal pesquisar as padarias em busca do melhor preço (Kg)? Como diria o antigo bordão: "É a ingnorância que astravanca o progresso!"

sexta-feira, setembro 01, 2006

“Quem matou o jornal?”

24 Aug 24th 2006From The Economist print edition

“O negócio de vender palavras aos leitores e de vender leitores aos publicitários, que sustentou seu papel na sociedade, está caindo...

... De todos os meios “velhos”, os jornais é o que tem mais a perder com a internet. A circulação tem caído na América, na Europa Ocidental, na América Latina, na Austrália, na Nova Zelândia por décadas (em outra parte, as vendas se estão subindo), mas, no futuro, em poucos anos, todos estarão em declínio. Em seu livro “o jornal desaparecendo”, Philip Meyer calcula que no início de 2043 será o momento em que o jornal impresso morrerá na América, quando o último leitor esgotado, jogará de lado a última edição... As pessoas mais novas estão começando a ler notícias na rede. Britânicos entre 15 e 24 dizem que gastam quase 30% menos tempo lendo os jornais nacionais pela web".

Quanto a publicidade
"A internet é um meio sedutor que combina supostos compradores com os vendedores e prova aos publicitários que seu dinheiro está bem gasto. Os anúncios classificados estão se deslocando rapidamente para a rede".

O cenário
"Os jornais ainda não começaram a fechar para baixo em números grandes, mas é somente uma questão de tempo. Em 2005 um grupo dos acionistas do Knight Ridder, proprietário de diversos diários americanos grandes, começou a vender seus papéis e terminar assim uma história de 114 anos. Este ano Morgan Stanley, um banco de investimento, pressionou o New York Times, a maior empresa jornalística, porque seu preço de capa tinha caído nos últimos quatro anos.

A fim cortar custos, já estão gastando menos com o jornalismo. Muitos estão tentando também atrair uns leitores mais novos deslocando a mistura de suas histórias para o entretenimento, o estilo de vida, e outros assuntos que podem parecer mais relevantes às vidas diárias das pessoas, do que com os casos internacionais e de política. Estão tentando criar uma linha negócios novos. E investindo nos papéis diários livres, que não se usam além de alguns recursos editoriais para descobrir corrupção política ou fraudes".

Os grandes
"As publicações como os New York e o Wall Street Journal devem aumentar seus preços para compensar os rendimentos com os anúncios perdidos para a internet. A utilidade da imprensa vai muito mais além dos abusos investigados ou de divulgar a notícia apurada. Ela pode prender governos ou pressioná-los a se explicar para a opinião pública. A internet expandiu esta possibilidade. Qualquer um que procura a informação nunca esteve tão bem equipado. Os povos já não têm que confiar em um punhado de jornais nacionais ou, pior, em jornais da sua cidade. Os noticiários locais do Google extraem notícias de todo o mundo. O web site do Guardian da Grâ Bretanha tem quase a metade de seus leitores na suas casas na América".
Os blogs
"Além disso, uma força nova dos jornalistas e dos blogueiros vinculam o “cidadão” e os políticos ao cliente da notícia. A rede abriu o mundo fechado dos editores e repórteres profissionais a qualquer um com um teclado e uma conexão da Internet. Diversas companhias estão trocando e depurando os “postings” que saem dos laptops ou TVs à cabo de amadores adormecidos no sofá.
Cada blogueiro é capaz de polarizar e caluniar, mas, feito um exame enquanto grupo, os blogueiros oferecem a pesquisa e a filtragem de matérias numa imensidão de informações entregando-as mastigadas à rede. Naturalmente, a internet é uma alcova às mentes fechadas, mas, de qualquer forma, exerce muita da pressão".
Um novo modelo
"A maioria dos blogueiros operam das suas poltronas, não na linha de frente (no front), e os cidadãos-jornalistas tendem a furar as matérias locais. Mas, tudo é ainda muito novo. Os novos modelos saltarão na frente como conseqüência do recuo dos papéis. Um grupo não empresarial tenta implantar modelos que combinam o trabalho dos amadores e dos profissionais para produzir histórias investigativas pela internet. Apropriadamente, US $10 mil de dinheiro para o projeto vieram de Craig Newmark, de Craigslist, um grupo de Web site livres da “classific-propaganda” que provavelmente, fizeram mais do que, qualquer coisa para destruir a renda dos jornais.

No futuro, segundo Carnegie, algum jornalismo de alta qualidade será suportado também por organizações não empresarias (non-profit). Já, há algumas organizações respeitadas de notícia que se sustentam, desta forma e nela se incluem o Guardian, o monitor da ciência Christian e a Rádio Pública Nacional.

Um grupo de elite do jornalismo sério dos jornais está disponível e é sustentado, de forma independente, por milhares de blogueiros voluntários que ateiam fogo junto com os cidadão-jornalistas bem informados em toda parte da rede”.

PS.: Texto traduzido e editado de matéria do famoso jornal "The Economist".

sexta-feira, agosto 11, 2006

Qual é a direção do Plano Diretor?!

Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado e ecologista
Campos, 06/08/2006.

Se depender do empenho de Silvana Castro e Sidney Salgado (Secretaria de Planejamento e de Meio Ambiente) o Plano Diretor de Campos vai acontecer. Não temos ainda uma visão clara dos níveis de excelência que alcançaremos com a metodologia adotada, mas de qualquer forma algo vai sair.

Confesso ter dúvidas quanto as consultas feitas às comunidades distritais, na minha opinião, de certa forma, prematuras. Faz tempo que nossas comunidades perderam as suas características culturais e visões orgânicas; as poucas lideranças foram cooptadas pelos perversos movimentos políticos-partidários dos últimos anos. Não creio que saibam exatamente o que querem nos quesitos qualidade de vida urbana, rural, sustentabilidade, mobilidade e planejamento participativo. Há um enorme vácuo a ser preenchido pelo poder público e pela mídia regional no sentido de melhor instrumentalizar a todos para que opinem minimamente na direção das perspectivas do Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/2001) e da Agenda 21 Local.

Como se não bastassem algumas dúvidas com o método adotado pela Secretaria de Planejamento e de Meio Ambiente, o prefeito Alexandre Mocaiber dá sinais de que outros grupos dentro de sua administração também estão mobilizados no mesmo sentido do Plano Diretor, ou seja, de pensar a cidade e o seu futuro. Acaba de lançar publicamente o “Perfil 2005 de Campos dos Goytacazes” objetivando “atrair investidores para diversificação” da economia do município. Pode não parecer nada demais! De fato é muito bom saber que há outros trabalhos para somar na tarefa da organização municipal, mas pelo nível de detalhamento do perfil e intenções reveladas, podemos afirmar que esta obra não pode ter vida própria, deve agora migrar para as comissões que estão de fato tentando fazer parir um Plano Diretor comprometido com a Sustentabilidade dos Processos Urbanos e Rurais de nosso município.

Nos próximos dias será a vez da FIRJAN. Segundo o Geraldo Coutinho, a Federação de Indústria apresentará publicamente uma proposta ou um plano de metas de desenvolvimento para todo o Estado do Rio de Janeiro, inclusive para Campos. Ótimo, de fato há enorme carência de propostas inovadoras e metas a serem compridas com objetividade e responsabilidade, por parte do Poder Público Estadual e Municipal. Entretanto, nunca é demais relembrar que não podemos mais permitir que os erros do passado ocupem espaços no atual momento de crises sócio-ambientais fartamente reconhecidas pelas instituições governamentais, acadêmicas e não-governamentais.

É preciso que antes de tudo todos nos convençamos de que para arrumar a bagunça, devemos começar pelo dever de casa, que hoje é a elaboração madura de nosso Plano Diretor com o devido Zoneamento Ecológico-Econômico-Social, garantindo previamente aonde podemos ou não podemos modificar, construir, instalar industrias, novas culturas agrícolas e aonde é urgente mobilizar para recuperar, reflorestar, criar Parques Municipais para lazer e estudo, etc.

Temos que reconhecer que não é nada fácil dar conta desta tarefa hercúlea e tardia, porém, se o prefeito Alexandre Mocaiber não investir fortemente no sentido de garantir melhor entrelaçamento e comprometimento entre os diversos atores públicos, corremos o risco de mais uma vez ver nossas energias arremessadas no ralo, fazendo de todo o esforço comunitário um amontoado de textos e papéis que depois não serão acolhidos pela Câmara dos Vereadores, nem serão ganho algum em tempos de urgências; tão somente servirão para enriquecer as prateleiras dos pesquisadores de plantão e críticos de toda a ordem.

quarta-feira, abril 26, 2006

Cinema, pedagogia e complexidade quântica!

Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, psicopedagogo, ecologista, educador, industriário.
Campos, 25/04/2006

Quando no final dos anos 80 e início dos anos 90 tive os primeiros contatos com as obras de Fritjof Capra – “O Tao da Física” e o “Ponto de Mutação” –, senti-me atônito e meio que embriagado com tantas abordagens incomuns e surpreendentes sobre os princípios da física e da mecânica quântica, relatados de forma brilhante por aquele autor. Naquela ocasião, lembro-me bem, muitos operadores, da dita “opinião pública”, taxavam as obras como uma fantástica aventura “new age” de um físico mal sucedido que resolveu conhecer os mistérios da Índia. Contudo, mesmo assim, não impediram que se tornassem “best sellers”, e, que o autor continuasse a produzir obras magníficas como: “A Teia da Vida” e “As Conexões Ocultas”.

Eu, que me encontrava bacharelando em Direito na Faculdade de Direito de Campos e ao mesmo tempo aperfeiçoando um perfil estritamente técnico na área de inspeção de equipamentos e instalações junto a Petrobras, vi-me retorcido numa espetacular quebra paradigmática profunda e solitária, ainda maior na medida em que ia percebendo em mim mesmo o modelo formatado nos poderosos preceitos da física newtoniana (clássica / mecanicista) e nas lógicas mais tradicionais do cristianismo católico.

A partir de então eu jamais parei de buscar nos livros os caminhos possíveis para o meu agora pleno desajuste pessoal, algo que somente hoje posso tentar classificar como: crise sócio-eco-psico-antropo-bio-histórico-cultural. Passei a devorar de tudo, da antropologia à cosmologia passando pela administração pública e privada, pelas terapias holísticas e a psicopedagogia, pelas ecologias rasa e profunda e mais recentemente pelos aceiros da complexidade, sempre flertando as costuras impensadas e pouco prováveis aos olhos vendados.

O Direito continua me fascinando, mas como ciência avança tímida e lentamente, vejo-o ainda como a morada infiel da complexidade quântica que atualmente urge, falta-lhe uma matriz ética universal de bases mais complexas e transdisciplinares. Ao mesmo tempo, sinto que há caminhos promissores se ocorrerem iniciativas rigorosas e inovadoras nos campos pedagógicos em todos os segmentos da sociedade atual, de tal forma que haja o gozo real das responsabilidades mútuas e coletivas a partir das opções pessoais que fazemos diuturnamente. Algo que imagino mais provável com a expansão atual e gradual da dimensão feminina nos seletos redutos machistas de poder!

Um exemplo do que tento colocar acima tive a satisfação de ver plasmado numa fita de longa metragem que assisti numa pequena sala de cinema em São Paulo, onde estive recentemente. O título do filme é sugestivo – “Quem somos nós?” –, distribuído pela Playarte e produzido por William Arntz, Betsy Chasse/2004. Inicialmente não fiz fé, no entanto, ao final estava em grande êxtase por ver-me diante de parte de meu próprio drama pessoal dos últimos 15 anos. Fiquei boquiaberto com a animação, o conteúdo e os protagonistas envolvidos – todos Phd’s em física, medicina e biologia – manifestando em viva voz suas experiências e convicções num convite sublime para uma nova visão da realidade humana e planetária a partir do que eles chamam de “a nova ciência: física quântica”.

Os modelos pedagógicos que predominam nos diversos cenários educacionais ainda não conseguiram incorporar saberes já consolidados para as reconstruções neurais e sócio-culturais urgentes, com isso, cada vez mais as escolas e universidades tradicionais se distanciam da realidade bruta, nua e crua! Seja em função dos limites de seus mestres em remodelar os seus egos ou em função dos gigantismos burocráticos e administrativos das instituições educacionais em tempos virtuais, ou, por ambos. O fato é que nem mesmo as grandes instituições empresariais estão aguardando o ajuste das escolas e universidades, elas, as empresas, estão criando as suas próprias universidades e com isso estabelecendo novas lógicas de apropriação do saber diante da voracidade global em tempo real.

Enfim, eu reafirmo o que acredita Edgar Morin sobre o enorme impacto pedagógico e educacional do cinema, ou seja, dos filmes para o nosso momento atual. O freio abrupto do frenesi diário, diante da tela e da celebração ao filme, opera nas mentes e nos espíritos atentos um espaço fértil para a semeadura dos dramas e das realidades cruéis sem a perda de foco e do prazer do novo, aspectos pouco comuns nos cenários das salas de aulas tradicionais. Parabéns aos idealizadores e agora condutores do Cine-Club de Campos dentro de uma faculdade, a de Medicina, não poderia ser mais apropriado! Fica aqui a minha sugestão para a programação: “Quem somos nós?”, não sem antes, é claro, uma introdução ao tema por meio da projeção do filme “Ponto de Mutação” baseado no livro de Fritjof Capra (de mesmo título) e dirigido por seu irmão, Berndt Capra/1991.