quinta-feira, julho 05, 2007

Etanol: a verdade do norte fluminense!!

Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, psicopedagogo, terapeuta e industriário.

e-mail: lfmunizz@gmail.com
Campos, Julho/2007.


Graças a um jovem e promissor jornalista do “O Dia” – Diogo Amaral – e os fabulosos avanços da informática, eu fui provocado a tempo para assistir ao Seminário: ETANOL DO NORTE FLUMINENSE AO MERCADO GLOBAL – já havia me esquecido – no último dia 26/06/07. Acabei assistindo na íntegra pela internet, que maravilha!

Acredito que a realidade dos avanços tecnológicos na área da informação e comunicação está promovendo uma revolução mais real do que muitos de nós poderíamos supor. Tudo parece avançar numa dinâmica incomum para os olhos dos “fluminenses” mais ao norte.

Este seminário, na minha humilde opinião, foi um divisor de águas! A simultaneidade entre o CEFET (Campos dos Goytacazes) e o EDISE (Petrobrás/RJ) numa transmissão em tempo real, com a participação de lideranças de classes e governamentais (nacionais e regionais), sobre os detalhes e desafios burocráticos, técnicos e administrativos da indústria e da lavoura canavieira no Brasil e em particular no Norte-Fluminense, trouxe para todos uma nítida luz e uma atualíssima visão do drama vivido por aqui.

A desenvoltura de representantes dos produtores e industriários do centro-oeste brasileiro e do Estado de São Paulo deixou claro o atual compromisso profissional do setor com o controle real de metas, não só no campo produtivo, mas também nas áreas trabalhistas e sócio-ambientais. Os representantes da Petrobrás foram enfáticos e meticulosos ao tratar dos desafios da produção com responsabilidade social e ambiental, tecendo comentários inclusive sobre o fim das queimadas e utilização das palhas de cana como adubo ou para produção de etanol a partir de celulose.

Durante os comentários sobre o potencial do Norte-Fluminense, um representante da Secretaria Nacional de Indústria ressaltou o importante papel desta região no passado, mas que hoje seria preciso um forte empenho de todos os setores envolvidos para uma mudança de gestão que promova uma real atração dos investidores. Num quadro em que a produção agrícola não consegue atender a demanda já instalada das usinas que operam; onde a produção de cana por hectare é praticamente a metade do que ocorre nas lavouras paulistas; onde o perfil do produtor rural não acolheria as exigências de gestão impostas por um mercado que sinaliza fortemente pela responsabilidade social e ambiental; então somente restaria dizer que o norte-fluminense tem muita lição de casa para cumprir antes de se lançar atrás do dinheiro do investidor.

Representantes do CEFET e da UFF/RJ apresentaram, em detalhes, as dívidas do setor com o meio ambiente e os trabalhadores rurais, apontadas em vários estudos acadêmicos desenvolvidos pelas universidades regionais, mas incrivelmente foram rebatidas pelo Presidente do Sindicato dos Produtores de Cana de Açúcar do NF – e também representante da Firjan – presente no palco do Edise. Segundo ele os produtores rurais, ou como gosta de chamar: “empresários rurais”, praticam na região a responsabilidade social, a responsabilidade ambiental e que esta questão de queimadas, somente com o tempo e o aperfeiçoamento natural da sociedade é que será extinta (???), não entendi, e você??

Praticamente todas as lideranças de classe de nossa região, que tiveram vez e voz no seminário, pediram socorro a Petrobrás, mas sem apresentar nada de concreto, mais uma vez transparece a velha máxima da busca de recursos sem contrapartidas, sem co-responsabilidades, sem convergências setoriais e sem metas claras e definidas previamente. Somente o Mário, é o Mário Concebidas, que aproveitou a oportunidade para espetar a Petrobrás – relembrando uma falsa idéia de que aquela empresa havia lutado contra o Pró-Álcool -, coisas do Mário!! Falou pouco e explicou menos ainda o procedimento de empréstimos, com dinheiro dos royalties do petróleo, para os produtores de cana em Campos dos Goytacazes.

Enfim, se vocês quiserem de fato participar desta revolução no cenário energético mundial, deverão querer aprender, rapidamente, práticas de gestão participativa! Deverão entender o por quê que muitos produtores de cana, ainda hoje, estão transformando em ração as suas lavouras, ao invés de vender para a usina a R$ 10,00 (dez) reais a tonelada! Além, é claro, de aceitar com gentileza e confiança a opinião que não coincidir com aquela do mais puro e genuíno “Capitalismo”, como alguém teria dito também por lá!!

quinta-feira, junho 14, 2007

Royalties em Campos dos Goytacazes, RJ e as universidades!

Luiz Felipe Muniz de Souza
14/06/2007

A discussão - ou monólogo público?? - sobre o uso adequado dos royalties está levando à linda baixaria que quase sempre predominou nas rodas dos debates sobre o que fazer com a outrora promissora: Campos dos Goytacazes/RJ!!!

Por mais que alguns poucos "obstinados" e "devotos" do exercício democrático tentem, o fato é que não conseguimos sair da mesmice, da pasmaceira de sempre, dos egos em excessos - locais e provincianos - que embalaram e ainda fazem a história desta terra miserável de Escravos, de Engenhos e de Royalties do Petróleo.

Nos últimos anos o que tivemos em excesso foram radialistas no poder, falastrões egocêntricos e um retrocesso radical dos movimentos sociais. Hoje as universidades locais - e são muitas!! - não mais conseguem fomentar as renovações fundamentais e nem as revoluções urgentes do pensamento e das ações públicas.

Boa parte deste caos se deve porque há nelas de fato um certo - e talvez profundo - enredamento, um entrelaçamento pouco ético com os poderes da administração pública local e regional, fatos que tendem a partidarizar politicamente tudo que se passa e se pensa no seio da comunidade acadêmica, deixando órfãos de idéias e ideais os cidadãos e cidadãs da Campos dos Goytacazes de hoje.

A maneira como um Secretário Municipal de Comunicação conduz a discussão pública e a crítica de um segmento universitário - chamando todos para uma cervejada num boteco de esquina - ao uso dos royalties, nos dá a nítida dimensão da precária condição político-administrativa do atual prefeito, ao mesmo tempo que esgarça para toda a comunidade a pouca reputação de muitos indivíduos que fazem política por aqui!!

É dito em "boca pequena" por aí que boa parte das bolsas universitárias pagas pela prefeitura de Campos - à título de "investimento" segundo o Secretário de Comunicação - é destinada a muita gente de alto poder aquisitivo e influente na Administração Municipal!!!

Ora, Senhor Secretário - seria esta uma boa oportunidade para a Secretaria de Comunicação Municipal - ao invés da cerveja no boteco - apresentar uma lista completa dos beneficiários das bolsas bancadas pelos royalties do petróleo - com o nome completo de pais e renda bruta - para que a sociedade avalie bem se de fato trata-se de um investimento ou mais um "caixa dois" da administração pública no Brasil!!!

sexta-feira, março 23, 2007

Tecnologia social e desenvolvimento em Campos

Fábio Siqueira – historiador, professor e diretor Sepe
e-mail: fabiogsiqueira@ig.com.br

No último dia 19 estive na UENF a convite da coordenação do Programa de Pós-graduação em Políticas Sociais e da Pró-Reitoria de Extensão e assuntos comunitários. No programa a aula inaugural do curso de mestrado do referido programa com a educadora e ex-deputada federal Irma Passoni. A palestrante hoje se dedica a coordenar o ITS (Instituto de Tecnologia Social), uma ONG que se dedica a disponibilizar tecnologias resultantes da produção científica brasileira para a sociedade, especialmente para as camadas menos favorecidas ou excluídas. Sua fala discorreu sobre o papel da Universidade nesse contexto, como instituição responsável no processo de desenvolvimento nacional. Desenvolvimento aqui compreendido não apenas em seu aspecto socioeconômico, mas também – e fundamentalmente – no aspecto humano e social.

Muito oportuno este debate na UENF. Na própria cobertura que este blog tem dispensado às eleições para a escolha do próximo reitor desta universidade, já foi comentada – inclusive pelos candidatos – a opinião corrente na cidade segundo a qual esta instituição acadêmica não conseguiu até hoje se integrar de forma efetiva com a comunidade campista. Em que pese todos os problemas que a UENF enfrentou ao longo de sua história, inclusive a luta pela autonomia universitária e que talvez tenha mantido a comunidade focada nos interesses internos, já é hora de – finalmente – promover tal integração. Isto não é apenas uma questão de opinião. Diz respeito à necessidade de exercer uma responsabilidade que a comunidade científica tem, de contribuir para o debate e as ações relativas ao desenvolvimento regional. De parabéns a coordenação do Programa e a Pró-Reitoria que promoveram o evento, pela sensibilidade com tema tão relevante.

Como um dos poucos – se não o único – representante da sociedade civil presente na palestra que contava com público composto quase que totalmente por membros da comunidade universitária, me motivei a apresentar uma questão à ex-deputada após sua explanação que apresentou inúmeros relatos de experiências verificadas na região Norte, Nordeste, em São Paulo, enfim por todo o país, onde a integração entre a comunidade científica, o ITS e o poder público resultou em desenvolvimento social, gerando cidadania para milhares de pessoas. Minha pergunta solicitava um maior detalhamento entre as parcerias com prefeituras mencionadas em sua fala, especialmente uma experiência envolvendo a Secretaria Municipal de Trabalho de Osasco, além disso questionava a impressão de Irma sobre o potencial de uma prefeitura com orçamento como o de Campos nesse sentido.

Sua resposta me convenceu que muito ainda pode ser feito aqui para mudar a realidade de milhares de pessoas que se encontram na pobreza, ou que dependem de um contrato de trabalho temporário ou terceirizado na prefeitura – em situação irregular e de eminente desemprego. No caso de Osasco, a articulação entre instituições que promovem pesquisa científica, o ITS, governo Federal e prefeitura produziu um eficaz programa de geração de emprego e renda, rompendo com a questionada acomodação dos assistidos por programas emergenciais como o Bolsa Família. Em Campos, não há no organograma da Prefeitura uma Secretaria de Trabalho, responsável pela experiência de Osasco, também não há uma Secretaria de Ciência e Tecnologia, fundamental para articular a Universidade, suas pesquisas e o interesse público – isto apesar de o partido do prefeito ocupar o Ministério e a Secretaria de Estado de mesmo nome. Isto revela a inércia da atual administração em avançar em algumas áreas de governo, apesar do robusto orçamento do Município. Outra observação de Irma deve ser destacada. Ela lembrou de sua atuação parlamentar, quando da legislatura que definiu os royalties do petróleo para os Municípios e Estados da Federação, principal receita dos municípios da região. Disse que, na oportunidade, tiveram contato com o modelo do Alasca, onde a compensação financeira é paga individualmente a cada cidadão anualmente, e não mediada pelo Estado. Assim defendeu ampla publicidade e democratização no que se refere à utilização destes recursos por Estados e Municípios.

Todos nós que defendemos a justiça dos royalties pagos aos municípios da região – imaginando estes recursos como vetor de desenvolvimento neste bolsão de pobreza encravado no “Sul maravilha” – acompanhamos com atenção a utilização destes recursos pelas prefeituras locais e esperamos que estes sejam empregados em investimentos de interesse público. E tecnologia social, articulando conhecimento científico e tecnológico com políticas públicas voltadas para a promoção da cidadania é um belo investimento!

domingo, fevereiro 18, 2007

A inconveniência da “verdade” dos intolerantes!!

Luiz Felipe Muniz de Souza
Advogado, psicopedagogo, terapeuta e industriário

e-mail: lfmunizz@gmail.com
Campos, 16/02/2007.

Por mais que as chuvas abundantes e as enchentes incomuns em nossa região exijam ações urgentes para desafogar as famílias, os rebanhos e os canaviais inundados, não podemos mais correr o risco de cometer os mesmos erros simplistas do passado. Temos que agir e pensar juntos para além das diferenças de idéias, numa tentativa urgente, e, talvez única, de re-arrumar a bagunça que financiamos ao longo do tempo e que ainda nos domina a todos, particularmente no Poder Executivo Municipal em Campos dos Goytacazes.

Outrora a Baixada Campista foi drenada sim! Em nome do desenvolvimento agro-industrial, construímos mais de 2000 Km de canais sem considerar quaisquer aspectos de cunho ambiental sim! Alguns dizem, na defesa do que foi realizado, que o trabalho se deu em função das doenças e epidemias oriundas dos fartos mananciais. Na minha humilde opinião, uma desculpa que custou apenas, a perda de quase uma centena de lagoas e outras centenas de brejos e áreas úmidas importantes e vitais para toda a comunidade.

Desconsiderar os importantes relatórios internacionais sobre o “Aquecimento Global”, e, as inevitáveis “Mudanças Climáticas” para a tomada de decisões é o mesmo que negar hoje a existência da Lua ou afirmar que a destruição de Nova Orleans / EUA pelo “Katrina” ou a “Tsunami” na Ásia foram uma ficção!!

Toda a Rede Globo nunca esteve tão “ecochata”! Colunas de Economia e Política não falam em outra coisa senão em mudança de matriz energética para tentar fazer frente ao drama do aquecimento e suas conseqüências espetaculares. Quem diria, a Miriam Leitão!? O “Fantástico” dominical traz agora fora do tempo - mas em horário nobre - especiais internacionais, para tentar explicar, o que de fato há na Biosfera em crise, numa tentativa meio que desesperada de chamar a atenção para o grave momento da humanidade. Até a Ana Maria Braga deixou um pouco de lado, as delícias de nossa culinária, para entrevistar um dos jornalistas responsáveis pelo atual envolvimento da “Rede Globo” com o tema.

Enquanto isso, aqui no 6º PIB Brasileiro, os ruralistas e usineiros reacendem velhos dramas ambientais, embalados pelas águas em suas lavouras de cana e pelas pontes caídas e ausentes. Esqueceram boa parte dos excessos cometidos: invasões de lagoas, eliminação de pequenas propriedades rurais, expulsão de comunidades pesqueiras, derrubadas de florestas, etc. Agora que o álcool foi elevado a categoria de “commodity” internacional, devido à busca das nações por alternativas aos combustíveis fósseis, sentem-se cada vez mais poderosos para o enfrentamento político regional. Já conseguiram até uma grande vitória: a pressão sobre o Prefeito de Campos motivou a troca do secretário de Meio Ambiente, sai o Sidney Salgado de perfil técnico e entra um político profissional – Paulo Albernaz - de bom trânsito com os ruralistas, mas de perfil frágil com relação à área socioambiental.

Tudo bem, para ser Secretário de Governo não é preciso ser especialista! Mas a questão não é essa, ela é um pouco mais complexa e requer melhor reflexão.

O grande problema é que na Prefeitura de Campos impera um caos dramático de organização, planejamento e fiscalização. Não há qualquer padrão a ser seguido na qualidade de funcionário público municipal - seja por concurso ou indicação -, ficando assim o cargo a cargo de quem de fato assume a pasta ou a função. Nada por aqui acontece como fruto de um trabalho de convergência, planejado ou de metas a serem alcançadas, não!! Nestas terras de fartura, o jogo tem ficado por conta da decretação de Estado de Emergência ou similar, impedindo licitações públicas e o cumprimento dos já precários Planos Plurianuais; porém, com farta liberação de verbas dos cofres públicos.

Ora, um município com tantos recursos financeiros, e, tão precárias condições estruturais, não ter capacidade técnica para gerar projetos, para serem financiados e implementados com e pelo Ministério das Cidades na área de infra-estrutura, é uma aberração! Um prefeito que vai ao Jornal da Record e afirma que o município perdeu mais de 350 milhões do Governo Federal por falta de projetos, não deveria ser pressionado pelas lideranças e cobrado pela comunidade?

Não será na divergência que alcançaremos melhores índices de gestão é verdade, mas sim numa visão mais complexa e compartilhada dos fatos e das decisões. Uma parte dos ruralistas e usineiros, por exemplo, estão apostando na criação de novos Consórcios e Comitês para facilitar os caminhos de acesso ao dinheiro federal para a prática de novas intervenções na Bacia Hidrográfica Regional. Há no ar, um certo boicote ao Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, e, ao Consórcio de Municípios e de Usuários da Bacia do Rio Paraíba do Sul para a Gestão Ambiental da Unidade Foz, instalado em 12/12/2003 junto ao CEIVAP - Comitê para Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul - Sistema Nacional de Recursos Hídricos, instituído pelas Leis nº. 9.433/97 e 9.984/00 -, dito por eles como “casa dos ecologistas e ambientalistas”.

Não cabe mais a intolerância e suas meias verdades. As questões socioambientais daqui a diante deverão ser assumidas coletiva e democraticamente por todos os segmentos comunitários. Assim desejaram os recentes legisladores brasileiros e assim exigem as urgências globais entorno do tema. O dualismo regional, entre os ruralistas e usineiros de um lado e os ecologistas e simpatizantes de outro, não é mais cabível no cenário atual de crises entorpecentes e hiper-complexas. Precisamos de um choque de Gestão Pública que permita e garanta a evolução dos colegiados já criados, eles têm papel fundamental nas mudanças que urgem. Precisamos ainda, de uma imprensa sensível a toda esta dinâmica de ações locais, com capilaridade profissional, ao mesmo tempo para garantir os espaços da boa informação, como para agir articulando em prol do aprimoramento orgânico local e regional. Muito provavelmente, nem mesmo isto, bastará!!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Notas sobre o cotidiano

Fábio Siqueira
Historiador e professor
e-mail: fabiogsiqueira@ig.com.br

Estou devendo o artigo a este amigo/blogueiro, mas valho-me deste e-mail para comentar algumas questões em voga:

1) O Flamengo estreou com boa vitória no Campeonato já saltando na ponta de seu grupo de forma isolada, pena que meu entusiasmo durou pouco. Surpreendido pelo arrombamento do carro de meu amigo Professor Gustavo "kbça", na companhia de quem assisti a partida constatei que o meliante resolveu levar o CD player, objeto do furto, dentro de minha mochila, sem objetos de valor material, mas cheia de documentos, agendas e papéis que me farão muita falta. Se o blog puder ser veículo de minha esperança - não sei se cabe na "linha editorial"- gratifico quem devolver tais documentos, papéis e agendas que se encontravam em uma mochila verde-musgo da grife "water-proff" (pena que também não era à prova de ladrão). Contatos: 8126-3455; 27321508 ou 27222696;

2)O desapontamento causado pelo fato acima descrito tirou parte de meu entusiasmo diante da boa vitória do escrete canarinho sub-20 no sul-americano da categoria, disputado no Paraguai. Com a vitória sobre os donos da casa, o Brasil depende de um empate com a Colômbia, lanterna do hexagonal final para garantir vaga em Pequim;

3) Mais uma má notícia pela manhã, depois de mais de três anos sem ver o Mengão jogar em Campos, corremos o risco de cancelamento do jogo previsto para domingo no Godofredo Cruz, ou da realização do mesmo com portões fechados. Não está definido se serão vendidos ingressos para o jogo e em caso positivo se estarão disponíveis dois mil ou sete mil ingressos, tampouco quando se iniciará, ou se haverá, venda antecipada. Não quero entrar em polêmica com as autoridades competentes mas, da última vez que estive naquele estádio, no último clássico Goytacaz x Americano, pelo Brasileiro da série C de 2004 - ou 2003? - o estádio estava lotado e não houve qualquer problema;

4) O DM do PT vai eleger presidente na próxima quarta. O "companheiro" Helio Anomal se assanha para voltar ao cargo com o aparente - e inacreditável - apoio da Articulação. Contudo o script parece condenado a surpresas e "cacos" para desgosto da provável dobradinha. Outros setores representativos das duas chapas que disputaram o PED articulam, com viabilidade, uma candidatura capaz de oxigenar e democratizar o DM. Se a Articulação mantiver o apoio a Anomal o quadro apontaria hoje um empate em 16 a 16, com a decisão ficando na mão de quatro votos indefinidos e consequentemente, imprevisível. É o velho PT! Hora de calçar as chuteiras meu bom Blogueiro.
Abraço, Fábio Siqueira.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

O Congresso é a Geni?

Fábio Siqueira é professor e historiador
e-mail:
fabiogsiqueira@ig.com.br

Mais uma vez, desfruto da generosidade de meu amigo Roberto Moraes, para ocupar este seu prestigiado blog com algumas reflexões. Esta consideração preliminar se deve, a recente constatação em conversa com amigos que conhecem a mídia local, onde fiquei assustado com projeções sobre o pequeno número de leitores de jornais diários em Campos. Acho que, considerar a pequena proporção dos que se atêm a artigos e páginas de opinião, ajuda a entender um pouco o quadro sócio-político local. Por isso, é bom ter acesso à interlocução com um público qualificado e crítico, na expectativa de atrair a atenção de pelo menos parte dele. Estou tomando gosto pela coisa, é uma “cachaça” como diz nosso blogueiro.

Na “ordem do dia” a maior polêmica do momento: o aumento salarial dos membros do Congresso Nacional. Longe de mim, assalariado sem reajuste desde que tomei posse no serviço público – isso mesmo, o mesmo piso salarial há oito anos! – tomar a defesa de nosso nobre colégio de líderes partidários, responsável pela decisão. Mas, quem atira as pedras?

Escrevo no dia em que o Exmo. – ou seria Mmo. – colegiado do STF decidiu sustar o polêmico aumento. A propósito, qual é mesmo o salário dos Ministros (as) do STF? Respondo: exatamente o mesmo, aliás, parâmetro para o valor aprovado pelos achincalhados parlamentares. Onde estava a severa opinião pública e sua vetusta tutora, a grande imprensa, quando os doutos magistrados da Corte Suprema concederam a si mesmos os nababescos salários? Alguém já experimentou a edificante experiência de assistir à relevante programação da TV Justiça? Vale conferir, sobretudo a performance do Exmo. Ministro Marco Aurélio Mello! Quem delegou a esta corte o poder de garantir para si o mesmo salário que julgam ilegal para outro poder? O povo?

E por falar em interesse popular, será que o Poder Judiciário atende melhor aos interesses da sociedade que o Poder Legislativo? Em que será que o Roberto Jefferson ou o Severino são piores que o Nicolau “Lalau” e o Rocha Mattos? Qual o destaque que a grande imprensa, grande guardiã do interesse da opinião pública, tem dado ao relevante debate sobre o controle externo do judiciário? E qual será o salário da Miriam Leitão – que, como noticiou este blog goza da grande admiração de Roberto Jefferson? Qual o aumento que a Globo concedeu a ela em sua data base? Será que o Alexandre Garcia era tão implacável com o Congresso na ditadura? Naquela época os deputados ganhavam menos ou ele era mais complacente?

Todas essas questões me fazem lembrar da canção Geni e o Zepelim, do mestre Chico Buarque. É inegável que, com grande inabilidade, a maioria dos Deputados federais e Senadores se submeteu a um desgaste imenso, agindo de maneira indefensável. Assemelham-se assim à heroína da canção, que não reivindica virtude porque obviamente não a possui. Destacam-se, porém, na obra de Chico os hipócritas personagens da “boa sociedade” que, igualados a Geni e, até mesmo salvos por ela, não hesitam em atirar-lhe pedras no dia seguinte.

Gostei muito de uma imagem que o Franklin Martins relacionou à “opinião pública” em recente artigo sobre esse mesmo tema. Esta seria uma senhora viúva, de boa índole, mas preconceituosa, moralista e um tanto ignorante, sujeita, portanto, a juízos de valor simplistas e equivocados. Seria oportuno que esta típica senhora de classe média se lembrasse que toda sociedade é responsável pela ELEIÇÃO do Congresso Nacional. Seus membros, independentemente de erros e acertos, representam os cidadãos. Suas atitudes, mesmo as piores, refletem a sociedade em suas qualidades e defeitos, como se fossem o espelho da viúva em questão. Infelizmente, não podemos escolher, nem cassar ou punir os que ocupam redações e microfones dos jornalões e emissoras de TV, que formam “nossa” opinião, nem os bem pagos membros da Corte Suprema.

PS.: Apesar de tudo, otimista incorrigível, tenho boas expectativas para o ano novo que se avizinha. Despeço-me temporariamente dos poucos que resistiram a todas as linhas desse artigo – sei que preciso ser mais conciso, chego lá! – desejando boas festas e um feliz 2007.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Nosso lema é sofrer, sofrer?

Fábio Siqueira
Historiador e professor
e-mail:
fabiogsiqueira@ig.com.br

Aqui estamos nós de novo nesse prestigiado blog e, mais uma vez, apesar de não ter a intenção de caracterizar a nossa participação como de articulista esportivo, sou instado pelas circunstâncias a iniciar este texto pelo apaixonante tema do futebol!

Como foi bonito ver nesse blog imagens da grande “vitória” que foi o empate arrancado pelo Goyta na Ilha do Governador no último sábado. Como foi bom, impossibilitado de acompanhar de perto tal feito, sentir nas ruas da cidade a intensa alegria de dezenas de torcedores alvi-anis logo após a “conquista”.

Mas, vem a velha sina de novo e quem diria – coisas do futebol – o antigo algoz é paradoxalmente lembrado como garantia da efetivação da conquista. Mas ele agora é saudade. É por isso que o futebol é tão apaixonante, e o livro do Roberto sucesso de antemão. Sobre futebol e literatura, um parêntese: está na minha lista de leituras um livro de um jornalista escocês cujo título Futebol e Guerra remete à invasão da Ucrânia pela Alemanha nazista nos anos 40, e que trata da saga do glorioso escrete do Dínamo de Kiev neste contexto, vale conferir.

Voltando a realidade do Goyta, o sofrimento me enseja antiga inquietação. Juro que não é ressentimento nem dor de cotovelo. Alguns interlocutores podem confirmar que já fiz, timidamente, este questionamento. Timidamente por saber que suscitaria grande polêmica mesmo reservadamente, como de fato se deu. Pois agora, no calor da paixão, lá vai: qual o papel do MP?

Conheço a resposta formal no cenário institucional brasileiro. Mas essa instituição sempre me preocupou. Não nego seu importante papel em momentos marcantes na história recente do Brasil. Reconheço que têm funcionado como fator de maturidade da democracia brasileira. Mas há, a meu juízo, uma gama grande e imprecisa de atribuições relativas ao MP e uma necessidade de tornar a informação sobre as funções e o funcionamento desta instituição mais acessível aos cidadãos. Além disso, com todo o respeito, o comportamento de alguns procuradores se assemelha ao de um pavão!

Essa mistura de personalismo e concentração de poder, não é à toa que o MP é chamado de Quarto Poder, pode ter sido benéfica em alguns momentos, mas me parece perigosa. Sei o tamanho da provocação que faço aqui mas, não consigo conceber que não haja no contexto sócio-político do RJ algum problema mais relevante que a seletiva para atrair a atenção do MP!

Como conseqüência dessa concentração de poder do MP e da Vênus platinada, estamos nós, de novo, vendo escapar pelos dedos o acesso do Goyta à primeira divisão. Apesar da licença poética no título, no campo de jogo fizemos valer o nosso glorioso hino: VENCEMOS! Quanto aos próximos capítulos desta “novela”, com desfecho previsto para 2008, já serão material para que nosso blogueiro comece a pensar em um segundo volume.